Análise sensorial do lugar na perspectiva de Juhani Pallasmaa: um estudo de caso na Praia do Pontal, Florianópolis (SC)

Categoria: Ciências sociais aplicadas: Arquitetura

PAULA GABBI POLLI

MATHEUS JOSÉ RIGON

LEONARDO DE OLIVEIRA BRITO

MARISTELA MORAES DE ALMEIDA 

Resumo:

Ao considerar a prática projetual arquitetônica na contemporaneidade, evidencia-se a necessidade de repensar as estratégias envolvidas no processo de análise e projeto do espaço habitado, tendo em vista a recorrente priorização da dimensão visual e de atributos de caráter funcionalista, em detrimento de outros aspectos que conformam a totalidade da experiência do lugar. Nesse cenário, o objetivo deste artigo é investigar estratégias de análise sensorial do lugar a partir da perspectiva do arquiteto Juhani Pallasmaa, importante teórico sobre a fenomenologia da arquitetura. Trata-se de uma abordagem realizada na disciplina “Projeto: investigações teórico-práticas”, no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Como estudo de caso, o trabalho apresenta uma pesquisa de campo caracterizada por visitas exploratórias realizadas pelos autores na Praia do Pontal, em Florianópolis - Santa Catarina. Adota-se uma abordagem fenomenológica de experimentação do lugar, considerando características visuais, qualidades materiais e táteis, padrões de luz e sombra, particularidades sonoras, dinâmicas antrópicas e relações espaço-tempo.

Os resultados evidenciam características sensíveis do lugar, expondo uma narrativa sobre a localidade, que contribui para o conhecimento de uma dimensão imaterial que se funde com o caráter material inerente aos espaços, através da associação de elementos como vegetações, rochas, faixas de areia, condicionantes do entorno, bem como fluxos e concentração de pessoas. Sendo assim, a discussão demonstra que a perspectiva de Juhani Pallasmaa pode contribuir como suporte na construção de estratégias para a análise sensorial do lugar, mediante a imersão do arquiteto no espaço habitado, para então descrever e interpretar a experiência vivenciada, o que pode cooperar como uma etapa da formação de práticas projetuais em arquitetura.

Palavras-chave: Fenomenologia da Arquitetura. Análise Sensorial do Lugar. Juhani Pallasmaa.

 

Introdução

Ao considerar perspectivas do estudo de filósofos como Edmund Husserl [1859-1938], Martin Heidegger [1889-1976] e Maurice Merleau-Ponty [1908-1961], a fenomenologia 1, entendida como o estudo dos fenômenos, apresenta uma projeção que acompanha a constituição de linhas teóricas que nela buscam respostas para a prática projetual arquitetônica. Essas reflexões provocam questionamentos articulados por aspectos da experiência humana com o espaço habitado (NORBERG-SCHULZ, 1975; BOLLNOW, 2008), enfatizando o papel do arquiteto nesse processo.

No campo da arquitetura, essa discussão tem possibilitado explorar maneiras de pensar a relação humana com o meio, tendo em vista o caráter inerente dos indivíduos enquanto seres essencialmente espaciais. Como afirma Nesbitt (2008), a filosofia, por meio da abordagem fenomenológica, ofereceu uma possibilidade de se refletir sobre a relação humana com o espaço e vice-versa. De acordo com a autora, foi por volta da década de 60 que arquitetos passaram a buscar referências na fenomenologia como suporte à prática, particularmente interessados nas relações entre as pessoas e o ambiente.

Os mesmos constroem uma espécie de abordagem própria sobre o processo de projeto, ainda que com similaridades em relação ao tema, ao investigarem atributos sensoriais do espaço habitado. Com isso, evidenciam-se trabalhos realizados por arquitetos como Christian Norberg-Schulz, Peter Zumthor, Steven Holl e, especialmente, Juhani Pallasmaa, autor foco de investigação deste trabalho.

Juhani Pallasmaa apresenta uma abordagem de estudo do ambiente construído baseado em aspectos sensoriais que mediam a sua relação com o corpo do indivíduo. Essa perspectiva reflete no objetivo desta pesquisa, que é a investigação de um procedimento de análise do lugar centrado em parâmetros que utilizem características sensoriais. Por isso, a escolha do arquiteto neste artigo ocorre por propor um pensamento que utiliza uma abordagem sensorial no espaço habitado, ao mesmo momento que se encontra abarcado por um repertório teórico e prático em nível mundial.

Parte-se da premissa de que a análise sensorial do lugar pode atuar como mecanismo mediador da comunicação entre o corpo do arquiteto e o corpo do usuário no processo de apreensão do espaço habitado (PALLASMAA, 2011, 2013a, 2013b, 2017, 2018). Acredita-se na importância do conhecimento, pelo pesquisador/arquiteto, de estratégias de análise que incluam atributos sensoriais, de maneira que a experiência vivenciada em determinado lugar permita a identificação das sensações sobre determinado ambiente.

Essa abordagem reflete no processo desenvolvido na disciplina “Projeto: investigações teórico-práticas”, no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina, onde foi construído um ensaio experimental interpretativo de elementos que compõem a complexidade do espaço habitado. Adotou-se como base o papel do arquiteto e urbanista como agente mediador, através de um estudo de caso convergente com a linha de pensamento fenomenológico da arquitetura.

Para que essa sensibilidade fosse captada, partiu-se da apropriação do discurso teórico-prático exposto por Pallasmaa, buscando aplicá-lo através de um estudo de caso na Praia do Pontal 2, localizada no norte do município de Florianópolis (Santa Catarina). A pesquisa partiu da busca de reconhecer atributos desse lugar, de modo que a experiência vivenciada pudesse absorver aspectos provenientes de dinâmicas naturais e antrópicas do espaço habitado, detidos por elementos materiais e imateriais.

Trata-se de um estudo de caso desenvolvido através de uma pesquisa qualitativa com procedimento descritivo, baseado em uma relação participante de abordagem exploratória dos autores em relação à experiência (GIL, 1991; MARCONI, LAKATOS, 2011; YIN, 2015). Com base nisso, o trabalho é constituído pela fundamentação teórica sobre Juhani Pallasmaa e o modo de pensar corporificado; aliada à formulação dos procedimentos metodológicos que orientaram as saídas de campo realizadas na Praia do Pontal; seguidos pela descrição do lugar e pela apresentação dos achados interpretativos; tendo-se, por fim, as considerações finais a partir do estudo realizado.

 Fundamentação Teórica: Juhani Pallasmaa e o modo de pensar corporificado

Nascido em 1936, Juhani Pallasmaa é um arquiteto e professor finlandês que possui uma trajetória marcada por influências fenomenológicas, apresentando obras teóricas e edificadas que revelam a busca de uma perspectiva da arquitetura que a interliga com a fenomenologia. O autor enfatiza aspectos relacionados com os sentidos humanos, a partir de obras que nascem da necessidade de recriar e de descobrir modos de abrigar o indivíduo em sua multissensorialidade, dividido neste trabalho em cinco publicações: “Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos” (PALLASMAA, 2011); “A imagem corporificada: imaginação e imaginário na arquitetura” (PALLASMAA, 2013a), “As mãos inteligentes: a sabedoria existencial e corporalizada na arquitetura” (PALLASMAA, 2013b); “Habitar” (PALLASMAA, 2017); e “Essências” (PALLASMAA, 2018).

Essa multissensorialidade expõe a discussão sobre uma arquitetura que repercute na consideração da existência humana, oferecendo a possibilidade de promover a análise sensorial do lugar por meio da relação entre o corpo do sujeito e o ambiente construído. Trata-se do processo de conhecimento de si mesmo, defendido através de uma prática arquitetônica que inclua o conhecimento corporal, enquanto elemento guiado por atributos que se projetam no espaço habitado, como destaca ao afirmar que:

A autenticidade da experiência da arquitetura se fundamenta na linguagem tectônica de se edificar e na abrangência do ato de se construir para os sentidos. Contemplamos, tocamos, ouvimos e medimos o mundo com toda nossa existência corporal, e o mundo que experimentamos se torna organizado e articulado em torno do centro do nosso corpo. (PALLASMAA, 2011, p. 61)

Para o autor, a exclusividade da visão pode provocar um distanciamento, enquanto o toque é o sentido da proximidade, de modo que o tato se torna um eixo principal que abarca todos os sentidos, uma vez que recobre todo o corpo, desenvolvendo-se em um papel diferente do princípio único da visão. Nessa perspectiva, a visão pode ser um sentido restritivo da experiência, ao contrário de um enfoque no corpo como um todo, que permite experimentar a materialidade revelada a partir da verdadeira essência, por meio da pele que permite absorver a matéria.

Como consequência, o espaço construído participa da vida humana, sendo que, em vez da mera visão, ou dos cinco sentidos clássicos, ele pode integrar várias esferas da vivência sensorial, que interagem e fundem entre si na totalidade da experiência. Trata-se de uma multissensorialidade, cujas características do espaço são medidas, por exemplo, igualmente pelos olhos, ouvidos, nariz, pele, língua, esqueleto e músculos, ou seja, por todo o corpo humano.

Entende-se que o estímulo dos sentidos pode aperfeiçoar a prática da arquitetura, que pode ser entendida de diversas maneiras a partir da sua corporalidade. Do ponto de vista do processo de projeto, Juhani Pallasmaa acredita que o arquiteto experimenta o espaço habitado considerando a si próprio como recurso metodológico. Existe uma preocupação com a perspectiva do corpo, com recomendações específicas que remetem a uma sensibilidade que desperta todos os sentidos humanos. Sobre isso, o autor discorre que:

Uma edificação é encontrada, não apenas vista; ela é acessada, confrontada, adentrada, relacionada com nosso corpo, percorrida e utilizada como um contexto e uma condição para diversas atividades e coisas. Uma edificação direciona, confere escala e emoldura ações, relações, percepções e pensamentos. (PALLASMAA, 2013a, p.124)

Percebe-se, a partir disso, que o espaço habitado possui relações com as condições do ser humano, ou seja, projetar envolve um modo de pensar corporificado, que ocorre por conta dos sentidos do corpo humano, além da arquitetura em si. Assim, as experiências entre o ambiente construído e a sensorialidade podem fundir-se em uma única dimensão, penetrando consciências, de modo que o arquiteto pode se comunicar com o corpo do frequentador que vivencia o ambiente, intermediando a leitura sensorial do lugar no processo de projeto arquitetônico.

A análise sensorial do lugar na perspectiva de Juhani Pallasmaa

Ao considerar a presença do lugar, verifica-se a importância dos aspectos sensoriais no discurso de Juhani Pallasmaa, de maneira que o corpo do sujeito é o meio pelo qual se vivencia a experiência do ambiente construído, sendo envolvido por um compilado de condicionantes. Trata-se de fenômenos detectados por uma investigação baseada em descrições interpretativas, que são traduzidas em procedimentos metodológicos no processo de projeto, para posterior atribuição na concepção arquitetônica.

De acordo com Pallasmaa (2013b, p. 113), “projetar é sempre buscar algo previamente desconhecido, uma exploração em território desconhecido; e o processo de projeto propriamente dito [...] precisa expressar a essência desta jornada mental”. Dentre as maneiras de projetar disponíveis para a arquitetura, ressaltam-se, a partir do olhar deste arquiteto, aquelas que auxiliam na conexão da imaterialidade com a materialidade, fazendo com que dimensões sensíveis do lugar se tornem componentes da própria prática do projeto arquitetônico.

Nesse processo, evidencia-se a construção de um pensamento complexo, tratando de aspectos sensoriais no contato direto do sujeito ligado à experiência do ambiente, onde as funções táteis do corpo humano são evidenciadas na relação de cada indivíduo com o espaço, como também em sua projeção no âmbito coletivo. Trata-se de uma experiência interpretada por conteúdos empíricos do indivíduo ou de grupos, que se estruturam “[...] com base nos significados e valores nele refletidos [...], consciente ou inconscientemente” (PALLASMAA, 2017, p. 60).

Por conseguinte, o autor acredita que a atividade do arquiteto envolve realizar a leitura sensorial do lugar, para “intuir ou simular a experiência da entidade não-existente em termos físicos [...] enquanto [...] imaginar a atmosfera ou a sensação [...]” (PALLASMAA, 2018, p. 114-115). Nesse sentido, a arquitetura pode envolver uma modalidade sensorial que tende a enfatizar, seja quando abranda ou quando propaga seus efeitos, evidenciando um movimento articulado pelo existente.

Nota-se, a partir disso, a aproximação com uma perspectiva proposta pela fenomenologia, que se volta intencionalmente para uma relação com o ambiente, construída na experimentação das pessoas em relação aos fenômenos que as rodeiam. Seguindo esse raciocínio, entende-se que, além do estímulo visual do observador, para que a experiência esteja centrada no corpo, existe a necessidade de ligação com o conteúdo de elementos que incorporam aspectos sensoriais.

Afinal, essa perspectiva demonstra que a análise sensorial do lugar pode ser pertinente no processo de projeto, com vistas à conformação de propostas capazes de despertar uma experiência multissensorial por parte dos usuários. Isso remete à busca de uma leitura atenta com base na interpretação das experiências vivenciadas em determinado espaço habitado, como é o caso, neste trabalho, da praia do Pontal.

Análise sensorial da Praia do Pontal

Também conhecida como Praia da Daniela, a Praia do Pontal, estudo de caso proposto neste trabalho, encontra-se em um distrito situado no norte da ilha de Santa Catarina, no município de Florianópolis (SC). Localizada junto ao acesso à Baía Norte, ela teve sua urbanização iniciada na década de 1970, acompanhando o processo de urbanização de caráter turístico ocorrido junto às praias do norte da ilha de Santa Catarina, descrito por Bueno (2006).

O local tem sua face principal voltada para o mar, estando a faixa de areia da praia separada do seu entorno urbano por uma faixa de restinga. A área é também caracterizada pela presença de uma curva orientada para a porção sul da ilha, formando um pontal, delimitado em sua face sudeste pela foz do Rio dos Ratones (fig.1). Destaca-se, ainda, a existência de formações de mangue nas proximidades do pontal e junto à foz do Rio dos Ratones, as quais fazem parte da Estação Ecológica de Carijós, unidade de conservação federal de proteção integral.

O estudo da área em questão deu-se a partir da realização de visitas exploratórias, com a captura de fotografias, seguidas pela descrição e interpretação das experiências. Ancorado no olhar proposto pelo autor, o processo de análise sensorial do lugar baseou-se na consideração dos elementos presentes em relação com o corpo, considerando a interação entre o meio natural, a presença antrópica e o ambiente construído (PALLASMAA, 2011, 2013a, 2013b, 2017, 2018). No local, as visitas ocorreram em três diferentes dias e horários (fig. 2).

 Figura 1 – Mapa de localização da Praia do Pontal. Fonte: Google Maps (2019), editado pelos autores.Figura 1 – Mapa de localização da Praia do Pontal. Fonte: Google Maps (2019), editado pelos autores.

Figura 2 – Mapa ilustrativo dos trajetos percorridos durante as visitas realizadas. Fonte: Os autores (2019).Figura 2 – Mapa ilustrativo dos trajetos percorridos durante as visitas realizadas. Fonte: Os autores (2019).

A partir das visitas exploratórias realizadas no âmbito da praia e sua articulação com o entorno, adotou-se uma abordagem fenomenológica de experimentação do lugar, considerando características visuais, qualidades materiais e táteis, padrões de luz e sombra, particularidades sonoras, dinâmicas antrópicas e relações espaço-tempo. Esse repertório orientou a estrutura descritiva das experiências, colaborando na construção de uma estratégia de análise do lugar guiada por atributos sensoriais, por meio das relações do corpo que media e é mediado pela experiência (PALLASMAA, 2011, 2013a, 2013b, 2017, 2018).

Descrição do Lugar

Partindo do princípio de que a arquitetura pode ser pensada para a vivência do usuário, construiu-se um repertório baseado na experimentação do lugar, da maneira como foi apresentado por Juhani Pallasmaa. Essa proximidade auxiliou no reconhecimento de características que foram delineando-se no decorrer das visitas exploratórias, dentro dos parâmetros sensoriais de investigação supracitados. Sendo assim, na primeira visita houve a seguinte descrição (fig.3):

É sábado, dia 16 (dezesseis) de novembro de 2019 (dois mil e dezenove). São duas horas da tarde. É um dia de sol e calor. Iniciamos a vivência por um deck de madeira, em uma curta e estreita trilha sombreada pela vegetação que separa a praia da área urbana. Adiante, na medida em que acessamos a praia, percebemos as texturas rochosas das pedras e da areia fina e branca. Notamos uma ampla abertura exposta ao sol em contato com os ventos, com vistas para o desenho dos morros da ilha e para o desenho do entorno composto por morros do continente. A água em tons de verde e azul do mar e a linha do horizonte no céu azul entre nuvens. Presenciamos uma densidade de pessoas de diferentes idades, em um momento recreativo, parte delas com roupas de banho coloridas, cobertas pela sombra dos guarda-sóis também coloridos. Observamos vendedores ambulantes que transitam durante o trajeto. As pessoas se fotografando. Percebemos os sons da quebra das ondas do mar e atrito com as pedras, conversas próximas, pássaros que se refugiam no manguezal, e um leve murmúrio da multidão. O público oscila entre o andar de passos lentos e leves corridas, enquanto os acessórios se agitam levemente ao vento. Na medida em que caminhamos, acabam-se as pedras e notamos apenas faixas de areia, que oscilam em diferentes proporções de largura, abarcando diferentes quantidades de pessoas. Quanto mais distante da área urbana e quanto menor a faixa de areia, menos pessoas encontramos. No meio do trajeto, sentimos a água do mar, levemente fria, em contraste com o dia de calor. Adiante, continuamos a caminhada. Já cansados, após o trajeto percorrido, existe uma curva em direção à Baía Norte, formando um pontal com vista para a porção da ilha no sentido sul, sendo parte de sua face voltada para o mar e outra para a foz do Rio dos Ratones. Um novo ponto de vista que se abre e anuncia uma nova parada, dessa vez para reflexão. Aqui, já acabando a faixa de areia, que dá lugar às matas e ao mar em contato com rio, anuncia-se o fim da primeira visita. São cinco da tarde, e depois da primeira caminhada, é hora de partir.

(Os autores, 2019, n.p)

 Figura 3 – Registros da primeira visita realizada. Fonte: Os autores (2019).Figura 3 – Registros da primeira visita realizada. Fonte: Os autores (2019).

 A primeira visita permitiu reconhecer as impressões iniciais sobre o lugar estudado, caracterizando a apropriação de seus elementos constituintes, como os acessos, fluxos de circulação, setorização de áreas, estruturas naturais e construídas, o entorno, assim como as pessoas e suas respectivas atividades. Em um segundo momento, por meio de uma reaproximação com o local de investigação, buscou-se vivenciar o espaço em um diferente dia da semana e, por conseguinte, captar diferentes impressões sobre a experiência no espaço vivenciado (fig.4):

É quinta-feira, dia 21 (vinte e um) de novembro de 2019 (dois mil e dezenove), 5 (cinco) dias após a primeira visita. A chegada ao local acontece por volta das 16 horas de uma tarde quente e ensolarada, cuja sensação de calor é potencializada pela aridez da avenida que dá acesso à praia, asfaltada e quase sem nenhum sombreamento. Seguindo em direção à massa verde que emoldura a praia, adentramos em um caminho coberto de grama que leva até a faixa de areia, ocupada por guarda-sóis, de onde se vê o mar de ondas calmas e tom esverdeado onde crianças, jovens e adultos dividem espaço, separado do céu claro pelo conjunto de montanhas que preenche a linha do horizonte. Junto ao único trecho em que há uma via com estacionamentos em contato direto com a praia, muitas pessoas buscam a sombra de árvores na borda da faixa de areia para se proteger do sol. A poucos metros de distância, na direção leste, avistamos um conjunto de pedras, onde alguns sobem para tirar fotos de si mesmos ou da paisagem, ou simplesmente para contemplar o entorno, como em um mirante natural. Em um ponto mais elevado junto a essas pedras, chama a atenção um agrupamento de pitangueiras, cruzado por caminho que conduz à enseada seguinte, em cuja sombra algumas pessoas se abrigam. A partir daí, iniciamos a caminhada em direção ao pontal da praia. Nesse trajeto, percorremos vários dos acessos que fazem a ligação da faixa de areia com a cidade, formando túneis de vegetação entre a cidade e a praia. A maioria desses ocorre em areia – onde se pode caminhar sentindo as folhas secas sob os pés e a maciez da areia fina e clara –, havendo também alguns com plataformas de madeira, além de elementos regulares de pedra ou concreto em algumas situações. Através desses acessos, chega-se a bolsões de estacionamento, quase vazios, delimitados por elementos vegetais que interrompem a continuidade da via. Seguindo em direção ao pontal, encontramos uma equipe com uma retroescavadeira instalando postes brancos metálicos de iluminação na borda da faixa de areia. Logo em seguida, cruzamos com certa dificuldade um trecho marcado por elementos pontiagudos que preenchem a estreita faixa de areia, remanescentes das formações de mangue que aí existiam na época em que o pontal era separado do restante da praia, condição atestada pela existência, em suas proximidades, de uma pequena área de mangue que chega à borda da praia. A partir desse ponto, com o sol já se escondendo e projetando seus raios alaranjados entre as nuvens no horizonte, o olhar se volta para os elementos que emolduram a paisagem do pontal da praia. Inicialmente, avistam-se as ilhas Ratones Grande e Ratones Pequeno, e, ao fundo, uma linha de prédios situados na área continental de Florianópolis. Já no pontal da praia, revela-se a ponte Hercílio Luz, que conecta a ilha ao continente, e o conjunto de morros e edifícios que compõem a paisagem da porção insular de Florianópolis. Nesse local, a calmaria das águas da foz do Rio dos Ratones contrasta com o barulho constante das ondas na experiência sonora de até então. Mais adiante, em direção ao mangue, avista-se uma extensa faixa de areia, ocasionada pela maré baixa, em que se destacam uma série de grafismos, que formam texturas onduladas e densas sobre a areia, permeadas por pequenos lagos, onde se observam alguns peixes pequenos. Por uma pequena trilha que serpenteia na lateral dessa faixa de areia, chega-se à borda do mangue, de onde se avistam, ao fundo, algumas edificações. Devido ao terreno pantanoso, já não é possível seguir em diante, de modo que retornamos pelo caminho anterior, com a praia já deserta ao anoitecer.

 (Os autores, 2019, n.p)

Figura 4 – Registros da segunda visita realizada. Fonte: Os autores (2019).Figura 4 – Registros da segunda visita realizada. Fonte: Os autores (2019). 

Observa-se que a segunda visita permitiu identificar diferentes condições e consequentes apropriações do espaço habitado, com atenção para as ligações entre a praia e os elementos vegetais lineares que a separam do bairro, bem como o acesso em direção ao ponto limite da praia. Na sequência, realizou-se a terceira visita, em outro dia da semana, a partir da qual houve a seguinte descrição (fig.5):

Domingo, dia 24 (vinte e quatro) de novembro de 2019 (dois mil e dezenove), 10h da manhã. 3 (três) dias após a última visita retornamos à praia da Daniela. Dessa vez iniciando nosso percurso por entre as ruelas da área urbanizada. Percorremos a longa e árida Rua das Paineiras e aos poucos fomos nos deparando com os pontos finais das vias. Em alguns momentos a presença da mata verde, densa, surgia, localizada em frente às ruas secas, quentes, ensolaradas. Ao seguir, nos deparamos com a água, inesperada, mas ao mesmo tempo serena, junto à vegetação dos manguezais. Neste momento, aquele espaço adentra uma área restrita, rumo à porção sul da península, banhada em parte pela água do mar, em parte pelas águas do Rio Ratones. Seguindo nosso percurso, agora rumo à praia, nos encontramos diversas vezes com os eixos verdes de preservação que aparentam conectar as duas extremidades de água, estabelecendo aí, uma linha, quase que como um respiro de área verde em meio à trama urbana. Ao chegar na areia da praia, no acesso mais a oeste que encontramos, começamos novamente nossa caminhada rumo ao pontal. Nesta porção da praia, as pessoas se instalam de forma separada. São famílias buscando espaços reservados, onde, por vezes, observamos grupos de pessoas acampando na parte interna e protegida da mata, deixando seus guarda-sóis e cadeiras à espera na areia quente. Ao nos afastarmos da área com maior concentração de pessoas, rumando em direção ao Pontal, observamos a alteração da vegetação. Essa, por sua vez, apresentando-nos as suas diferentes possibilidades, formas, texturas, configurando novos lugares. A vegetação que começa rasteira, se transforma em pontas, vestígios de galhos, mas que agora não existem mais. Na sequência somos conduzidos às trilhas junto à vegetação, pois o nível do mar parece estar aumentando. Caminhamos junto a uma espécie de grama, margeando um lago que se estende e se mistura com os mangues. Ao chegar no Pontal a paisagem se transforma novamente, vemos dois pescadores nesta posição que parece central. As águas vindas da esquerda e da direita se encontram e criam um movimento em “V” nas ondas do mar. A vista envolve os morros do continente, somados à paisagem da ilha e à parte urbanizada da ilha e da ponte que conecta a ilha ao continente. Ao seguir em direção à foz do Rio dos Ratones (ao menos achávamos que estávamos nessa direção) observamos um local totalmente diferente, a água agora está calma, já não se ouvem mais as ondas, apenas os pássaros, eventualmente algumas pessoas que vão e vem. A vegetação agora é mais baixa, observam-se ao fundo pequenos lagos, acredita-se que fruto das subidas e descidas da maré. Chegamos até o que parecia ser o final da porção de areia, neste momento paramos e contemplamos o local, onde ao norte vemos os morros do interior da Ilha de Santa Catarina e ao sul observamos parte da porção continental. Neste momento o mar se encontra com o rio que se deságua no mesmo. Trata-se de um lugar em que as condições naturais permanecem presentes e preservam a identidade da atmosfera do encontro das águas.

 (Os autores, 2019, n.p)

 Figura 5 – Registros da terceira visita realizada. Fonte: Os autores (2019).Figura 5 – Registros da terceira visita realizada. Fonte: Os autores (2019). 

Durante as visitas realizadas no local, evidenciou-se que o diálogo entre a interação humana, o espaço construído e o ambiente natural são constantes. Através de um processo gradativo de reconhecimento de características sensíveis que conformam a identidade desse lugar, articularam-se experiências de pertencimento que reforçaram o senso de realidade da área, externalizadas por meio das descrições apresentadas, as quais serviram de base para a análise interpretativa realizada na sequência.

Achados Interpretativos

A partir das experiências relatadas, evidenciou-se como a interface entre as dinâmicas ambientais e humanas do lugar em questão, marcadas pela sua apropriação por banhistas (moradores locais e turistas), pescadores e comerciantes que ocupam a faixa de areia, possibilita criar uma narrativa sobre a localidade. Esse olhar contribui para o conhecimento de uma dimensão imaterial que se funde com o caráter material inerente aos espaços naturais existentes e aos projetados pela ação humana (fig. 6).

Evidencia-se a conectividade entre os elementos percebidos, configurando o que Pallasmaa (2013a, 2013b) identifica como o potencial de um espaço direcionar, conferir escala, emoldurar ações, relações, percepções e pensamentos. Tal confrontamento entre o lugar e o corpo dos pesquisadores é verificado por meio das narrativas, que relacionam elementos como a faixa de restinga que separa a praia da área urbana; as densas e sombreadas formações de mangue junto à foz do Rio dos Ratones; assim como a faixa de areia, cujo desenho sinuoso conectado com as formas do entorno natural associa-se ao movimento das ondas e das águas que constroem a dinâmica do lugar.

Somam-se a isso os morros que compõem a paisagem do entorno, os quais assumem diferentes conformações e níveis de proximidade visual no decorrer do percurso, com destaque à vista conformada a partir do Pontal, na direção sul, de onde se tem a visão da baía norte da ilha de Santa Catarina e da ponte Hercílio Luz.

Destacam-se, também, as dinâmicas dos ventos, que se projetam no movimento das ondas, determinando trechos de mar agitado no percurso entre o pontal e a extremidade norte da praia, que contrastam com a silenciosa calmaria das águas na foz do Rio dos Ratones, de onde é possível ouvir o barulho das ondas vindo desde a face oposta da península. 

Figura 6 – Elementos naturais e antrópicos que compõem as dinâmicas do lugar estudado. Fonte: Os autores (2019).Figura 6 – Elementos naturais e antrópicos que compõem as dinâmicas do lugar estudado. Fonte: Os autores (2019).

 As percepções do lugar estudado resultaram no reconhecimento de uma multiplicidade de materiais, cores, formas, texturas, luzes, sombras, sons e outros elementos tangíveis e intangíveis experienciados pelos pesquisadores. Isso retratou a maneira como contemplamos e medimos o mundo com nossa existência corporal (PALLASMAA, 2011, 2017, 2018), sendo recorrente a presença de aspectos fenomenológicos na descrição das experiências.

Por conseguinte, com a associação de diferentes sentidos perceptivos ao se deslocar pelo lugar, observou-se que o trajeto da praia assumiu diferentes perfis ao longo da sua extensão, divididos, neste trabalho, em A, B, C e D (fig.7). Tal interpretação foi possível por uma análise associando as diferentes vivências resultantes das visitas retratadas previamente.

Na área A, que tem como plano de fundo os morros do continente, destaca-se a presença de uma faixa de areia ampla, marcada por grandes rochas em sua extremidade leste, que configuram um limite natural que delimita a praia nessa direção. Este é o único trecho em que há uma rua com acesso de veículos fazendo a intermediação entre a área urbanizada e a faixa de areia, onde se concentram algumas áreas com sombreamento natural; havendo também acessos de pedestres através de trilhas em meio à faixa de restinga, tanto através de caminhos de areia, como por plataformas de madeira. Trata-se da área com maior presença de pessoas na praia, destacando-se famílias com crianças, além de comerciantes que se deslocam pelo local, cuja concentração determina uma sonoridade própria a esse trecho.

Na área B, cuja vista segue voltada para o continente, também existem trilhas envolvidas pela faixa de restinga que separa a praia do bairro, as quais formam, em alguns casos, túneis sombreados de vegetação, observando-se uma faixa de areia de menor largura em relação à área anterior, onde as pessoas instalam barracas e guarda-sóis. Diferentemente do trecho anterior, observa-se aqui uma menor concentração de pessoas, o que faz com que o som das ondas do mar predomine na percepção sonora do ambiente.

Na área C, conformada entre o último acesso à área urbanizada através da restinga e o Pontal, já no domínio da Estação Ecológica de Carijós, também com vista para o continente, chamam a atenção as interfaces entre a faixa de areia e as formações de mangue. Em sua porção intermediária, a mesma se estreita e estabelece contato com a borda do manguezal que, com suas águas turvas e salobras, conecta às duas faces da península. Soma-se a isso a presença de galhos secos remanescentes de mangue que, aterrados em toda a largura da faixa de areia, confrontam aqueles que seguem em direção ao Pontal, fazendo-os diminuir a velocidade da caminhada, de modo a buscar um caminho seguro para atravessar entre os troncos pontiagudos que emergem da areia.

Figura 7 – Interpretação das dinâmicas do lugar estudado. Fonte: Os autores (2019).Figura 7 – Interpretação das dinâmicas do lugar estudado. Fonte: Os autores (2019).

 Por fim, conformada entre a extremidade do Pontal e a área de mangue situada na face sul da área urbanizada, a área D particulariza-se por apresentar um plano de fundo da paisagem completamente distinto, no qual se visualizam, em primeiro plano, as ilhas Ratones, e ao fundo, a vista da Baía Norte, com a Ponte Hercílio Luz e os morros da ilha de Santa Catarina. Além da calmaria das águas e dos ventos, e da quase inexistência de transeuntes no local, esse trecho se destaca também pela pequena declividade da faixa de areia. Essa faixa se prolonga até fundir-se à área pantanosa que conforma o manguezal existente, cuja largura muda de forma significativa conforme as variações da maré, de modo que são conformadas paisagens distintas com o passar do tempo. Em função disso, em períodos de maré baixa, pode-se caminhar através de trechos de areia com uma textura mais densa, que se contrapõe à maciez característica do restante do percurso.

Diante disso, observam-se diferentes escalas e elementos, fixos e transitórios, que podem ser vivenciados no contexto do habitar humano em integração com as propriedades do lugar em questão, enquanto momento no qual o senso de realidade é reforçado por uma interação multissensorial, no sentido abordado por Pallasmaa (2011, 2013a, 2013b, 2017, 2018).

Nota-se que os elementos percebidos ao percorrer o lugar, sejam esses particulares de cada uma das ambiências relatadas (como as pedras, os remanescentes de mangue na areia da praia, as sonoridades e as distintas dinâmicas antrópicas que as caracterizam), sejam esses comuns às diferentes áreas (como o mar, a faixa de areia e a restinga, que apesar de serem constantes ao longo do percurso da praia, assumem diversas feições), associam distintas características ao longo da área, articulando o espaço habitado. Essa conformação resulta na constituição da experiência por meio de uma dimensão única, composta pelos aspectos do espaço, da matéria e do tempo (PALLASMAA, 2011), que se tornam integrantes da experiência e da existência daquele que vivencia tal contexto espacial.

A partir dessa perspectiva, também se destaca como a passagem do tempo resulta em ambiências de constante dinamismo no lugar estudado. “Toda a matéria existe em um continuum temporal” (PALLASMA, 2011, p. 30). Essa questão é reconhecida tanto pelas variações nas formas de apropriação do espaço da praia pelas pessoas, como por fatores de ordem natural, tal como as marés e a própria trajetória do sol ao longo do dia, cuja luz também se concretiza ao tocar os diversos materiais e superfícies (PALLASMAA, 2018), proporcionando experiências distintas com o passar do tempo.

Considerações Finais

Neste trabalho, Juhani Pallasmaa torna-se referência dentro da discussão sobre uma arquitetura relacionada aos sentidos humanos, revelando discussões que nascem da reflexão sobre descobrir modos de abrigar o sujeito em sua multissensorialidade. Trata-se de uma abordagem que parte da vivência, em busca da harmonização com o meio. A mesma se baseia no experimento através dos sentidos, espelhando aspectos que possibilitam transcender a existência física por meio de experiências.

Assim, a partir dos procedimentos metodológicos aplicados no estudo de caso explorado na Praia do Pontal, encontram-se possibilidades de estruturar uma experiência interativa no espaço habitado. Tal olhar expressa o movimento em que a percepção da realidade é reforçada por uma interação entre o sujeito e o conjunto de elementos que compõem o seu entorno, tendo como protagonista o corpo que se desloca através do espaço.

Dessa maneira, evidencia-se o papel da experiência vivenciada no processo de análise do lugar estudado, onde os autores gradualmente internalizaram a descrição sensorial do espaço e consequentemente externalizaram o conteúdo estudado através da interpretação de seus atributos sensoriais, cuja articulação possibilitou identificar distintas ambiências ao longo da área em questão.

O processo de projeto mediado pelo modo de pensar corporificado pode se tornar, portanto, um recurso de aproximação, uma vez que o arquiteto pode optar pela análise sensorial do lugar como elemento de comunicação sobre como determinado ambiente poderia ser vivenciado. Dessa maneira, destaca-se a necessidade de estudos que possam experimentar determinados espaços, os quais podem servir de suporte para o desenvolvimento de estratégias sensoriais trabalhadas em função do lugar. Trata-se de uma abordagem experimental que foca no encontro da realidade do lugar com o ser humano, de modo a gerar estímulos que posteriormente podem interagir com a imaginação para constituir projetos de arquitetura, tais como futuras intervenções na área estudada.

Essa investigação sensorial incorpora aspectos que podem contribuir de forma substancial no propósito do arquiteto, entendendo que o ambiente construído está diretamente relacionado com as experiências do corpo humano. Assim sendo, considerando estudos futuros, tais práticas também podem ser incorporadas enquanto etapa projetual em ateliês de arquitetura, bem como no ciclo de ensino-aprendizagem, presente no processo de projeto arquitetônico, de modo que essas experiências sejam documentadas para contribuir em estudos sobre o tema.

 

Notas:

1 A fenomenologia, ou “estudo dos fenômenos”, foi concebida na filosofia entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, discutida entre autores como os filósofos Franz Brentano [1838-1917] e Edmund Husserl [1859-1938], que expuseram uma reflexão sobre a ciência, buscando evidenciar o estudo dos fenômenos da maneira como acontecem, em sua completude. O tema desdobrou-se com contribuições de conceitos explorados por outros filósofos, como Martin Heidegger [1889-1976] e Maurice Merleau-Ponty [1908-1961]. 

2 Este trabalho constitui um recorte de um estudo maior, desenvolvido com vistas a uma proposta de intervenção arquitetônica no lugar em questão. A escolha do mesmo se deu em função de uma atividade proposta na disciplina, que tinha como objetivo a realização de estudos em praias da ilha de Santa Catarina, distribuídas entre grupos de estudantes. Por conseguinte, a Praia do Pontal foi selecionada devido à sua singularidade paisagística, expressa através da diversidade de ambiências configuradas nos percursos entre a área urbanizada e as áreas de preservação natural existentes nesse lugar. Ao final da disciplina, as observações sensoriais serviram de base para o desenvolvimento do projeto de um mirante que expressasse a identidade do lugar.

 

Referências

BOLLNOW, Otto Friedrich. O Homem e o Espaço. 9ª Ed. Curitiba: UFPR, 2008.

BUENO, Ayrton Portilho. Patrimônio paisagístico e turismo na Ilha de Santa Catarina: a premência da paisagem no desenvolvimento sustentável da atividade turística. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2006.

GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 1991.

GOOGLE MAPS. Disponível em: https://www.google.com.br/maps. Acesso em: 16/11/2019.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica. 6ª Ed. São Paulo: Atlas, 2011.

NESBITT, Kate (org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica 1965-1995.  2.ed.  São Paulo: Cosac Naify, 2008.

NORBERG-SCHULZ, Christian. Existencia, Espacio y Arquitectura. Barcelona: Editorial Blume, 1975.

PALLASMAA, Juhani. A imagem corporificada: imaginação e imaginário na arquitetura. Porto

Alegre: Bookman, 2013a.

___________________. As mãos inteligentes: a sabedoria existencial e corporalizada na arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2013b.

___________________. Essências. São Paulo: Gustavo Gili, 2018.

___________________. Habitar. Tradução de: Alexandre Salvaterra. São Paulo: Gustavo Gili, 2017.

___________________.Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011.

YIN, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 5ª Ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.

  

Minicurrículos:

 

Paula Gabbi Polli é arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestra em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é estudante de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósARQ), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tendo como concentração a área de Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade. Atua com estudos voltados para urbanismo e paisagem, com ênfase em significados urbanos e a cidade dos sentidos.

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Matheus José Rigon é arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ). Especialista em Arquitetura da Cidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósARQ), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tendo como concentração a área de Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade. Atua com estudos focados em interfaces entre cidade, turismo, arquitetura e patrimônio cultural.

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Leonardo de Oliveira Brito é arquiteto e Urbanista graduado pelo Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósARQ) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutorando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). Tem como concentração a área de Projeto de Arquitetura e Urbanismo, na linha de pesquisa em Teoria e Método Aplicados ao Projeto em Arquitetura e Urbanismo. Atua como Arquiteto e Urbanista na Diretoria de Planejamento e Gestão de Infraestrutura da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

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Maristela Moraes de Almeida é arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Mestra e Doutora na área de Ergonomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Docente e pesquisadora no Departamento de Arquitetura e Urbanismo e no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósARQ), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Coordena o Grupo de Pesquisa em Arquitetura Ecopoética. Atua na área de Projeto Arquitetônico, concentrando-se nas interações entre arquitetura, pessoas e natureza.

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Como citar:

POLLI, Paula Gabbi; RIGON, Matheus José; BRITO, Leonardo de Oliveira; ALMEIDA, Maristela.  Análise sensorial do lugar na perspectiva de Juhani Pallasmaa: um estudo de caso na Praia do Pontal, Florianópolis (SC). 5% Arquitetura + Arte, São Paulo, ano 16, v. 01, n.23, e176, p. 1-22, jul./dez. 2021. Disponível em: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/periodico/ciencias-sociais-aplicadas/377-analise-sensorial-do-lugar-na-perspectiva-de-juhani-pallasmaa-um-estudo-de-caso-na-praia-do-pontal-florianopolis-sc-3

 

Submetido em: 2020-12-06

Aprovado em: 2021-13-10

 

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