Fordlândia e Belterra: percursos etnográficos e a patrimonialização da Arquitetura em madeira

Categoria: Ciências sociais aplicadas: Arquitetura Imprimir Email

CYBELLE SALVADOR MIRANDA

ZÂMARA ELAÍNE ANUNCIATA LIMA

 

Resumo:

O interesse na preservação do conjunto urbano de Fordlândia e Belterra se explica pela importância histórico-cultural-econômica principalmente para a Amazônia, como um dos primeiros grandes projetos implantados da região. Foi idealizado e financiado pela indústria Ford para o cultivo da seringa e extração do látex vegetal, que fora utilizado como base na produção dos pneus de automóveis fabricados pela Companhia. Com a decadência e o abandono do projeto pela Ford, o lugar ficou conhecido como "cidade fantasma”, entretanto permaneceu ocupado principalmente pelas famílias de ex-funcionários e ex-prestadores de serviços, em geral vindos de regiões próximas.

Em virtude disso, o artigo aborda a memória dos moradores como forma de valoração do patrimônio cultural e na construção da patrimonialidade, iniciando com um sucinto percurso pela trajetória dos parâmetros de salvaguarda e do conceito de patrimônio cultural para se entender as mudanças que culminaram no interesse em preservar a arquitetura em madeira no Brasil. Para tal, adotou-se o método qualitativo com aplicação da etnografia para incursão em campo, como meio de verificar a influência do espaço construído nas categorias sociais e a relação com as casas em madeira, caracterizando essa arquitetura que ora se assemelha ao tipo palafita, ora aos típicos bangalôs norte-americanos. Considera-se, portanto, que há elementos necessários para a patrimonialização, mas reconhecendo as dificuldades em se manter a integridade das casas em madeira, sobretudo em região de clima úmido.

Palavras-chave: Etnografia. Patrimônio. Amazônia.

 

 Introdução

Fordlândia, como ainda é conhecida, trata-se da localidade fundada no final da década de 20 do século passado, após uma concessão de terras na Amazônia aos norte-americanos da empresa automobilística Ford Motor Company, que fez grandes investimentos em infraestrutura nessa região, com o objetivo de cultivar seringueiras para extração do látex vegetal utilizado como base na produção de pneus fabricados pela Companhia e dessa forma conquistar a autossuficiência na produção de automóveis.

Porém, a primeira tentativa falhou e em meados da década de 30 o empreendimento mudou-se, após uma permuta de terras, para outra localidade, que foi chamada Belterra. Consequentemente houve o deslocamento também de investimentos dos americanos e muitas famílias de trabalhadores, além do abandono de parte do aparato ali inserido. Até que, em 1945, a Ford decidiu desativar o Projeto e transferiu todo o acervo para o governo brasileiro passando a serem, ambas as sedes, administradas pelo Ministério da Agricultura (SPHAN/Pró-memória, 1989) (Figura 1).

Figura 1. Mapa de localização de Fordlândia e Belterra no estado do Pará. Fonte: George B. A. Lima; Zâmara Lima.Figura 1. Mapa de localização de Fordlândia e Belterra no estado do Pará. Fonte: George B. A. Lima; Zâmara Lima. 

 Não concerne ao presente artigo tratar sobre as causas que resultaram no declínio e extinção do empreendimento, assunto abordado no âmbito da história econômica das relações entre Brasil e Estados Unidos. Entretanto, o enfoque é decorrente do legado deixado, pois ainda é possível encontrar vestígios (Figura 2) desse período nas caixas d´água de ferro e hidrantes, na arquitetura peculiar de estilo norte-americano e urbanização de cidade-empresa do início do século XX e nos galpões que ainda resistem guardando o maquinário, móveis e veículos inutilizados.

Figura 2. Alguns dos vestígios encontrados: 1.  O chamado “Cercado” onde aparece um dos galpões e a caixa d’água de ferro; 2. Hidrante encontrado em uma área já descampada. Fonte: As autorasFigura 2. Alguns dos vestígios encontrados: 1. O chamado “Cercado” onde aparece um dos galpões e a caixa d’água de ferro; 2. Hidrante encontrado em uma área já descampada. Fonte: As autoras

Presume-se que o uso das expressões "cidades fantasma” e/ou “abandonadas" tenha se originado metaforicamente para simbolizar o abandono do lugar e de todo este equipamento, pela empresa e seus funcionários, a respeito do qual existem livros, documentários e algumas matérias jornalísticas que muitas vezes promovem a disseminação de uma falsa percepção de povoação desabitada. Para esta impressão contribui o uso de fotografias como as da Figura 2 que exibem lugares específicos, importantes para o reconhecimento do sítio, mas que isolados transmitem apenas a percepção parcial, induzindo os leitores à falsa interpretação de que a cidade é realmente “fantasma”, com exceção de alguns documentários produzidos que dão voz a antigos moradores, como por exemplo “Fordlândia” (2008), dirigido por Marinho Andrade e Daniel Augusto.

Todavia, as localidades permaneceram/permanecem ocupadas, principalmente pelas famílias de funcionários aposentados, ex-funcionários e ex-prestadores de serviços da Companhia, em geral vindos de regiões próximas. Muitos deles guardam memórias dos tempos que ainda vivenciaram a tutela da Companhia Ford e posteriormente do Ministério da Agricultura, onde alguns continuaram a trabalhar como funcionários públicos. Para essas pessoas, tais estruturas construídas podem ser verdadeiramente importantes, pois são parte da paisagem e devem permanecer naquela ordem de percepção e imaginação, fundamentalmente como objetos visuais silenciosos (BOLLAS, 2000).

Considerando-se que a vila de Ford e Belterra foram compreendidas como de interesse a preservação através da petição de tombamento no processo de número 1311 referente ao Conjunto Urbano de Áreas Urbanas de Belterra e Fordlândia iniciado no ano de 1990 (Tabela de Processos de Tombamento – IPHAN, 2018) e até o momento não foi concluído por alguns fatores determinantes, sejam políticos, administrativos, ambientais e até geográficos, deve-se destacar os moradores como os principais agentes de proteção desse patrimônio. 

Em virtude disso, adotou-se o método qualitativo com aplicação da etnografia para incursão em campo, a fim de captar nas narrativas dos indivíduos as manifestações das memórias latentes e aferir nas conversas a identidade com a história do lugar, a influência do espaço construído nas categorias sociais e a relação com as casas em madeira, além de caracterizar essa arquitetura que ora se assemelha ao tipo palafita, ora aos típicos bangalôs norte-americanos.

1 Trajetória dos parâmetros de salvaguarda do patrimônio material

 Várias foram as tentativas de ampliar os horizontes do patrimônio cultural; declarações, cartas patrimoniais, diretrizes e leis que sofreram grande resistência em sua aplicabilidade. Algumas dessas continuam em discussão e não são totalmente aceitas ainda hoje, como é o caso do Patrimônio Não-Consagrado, embora seja dito que “esse patrimônio de menor visibilidade, não reconhecido por nenhuma esfera governamental vem assumindo importante papel transformador” (LIMA, 2018).

Há uma grande controvérsia, haja vista que “para determinadas comunidades existem patrimônios históricos e culturais que são referências de identidade e de valor cultural, mas que não obtiveram o mesmo reconhecimento das instituições que cuidam da identificação e preservação dos elementos patrimoniais” (LOPIS, 2017, p.15), enquanto alguns registrados nos livros de tombo, sequer são reconhecidos pela comunidade. Como dito por Ulpiano de Meneses: “bens declarados de valor universal não são percebidos como tais pelos habitantes, para quem eles podem constituir apenas ônus e, na maior parte das vezes, mera oportunidade de negócio” (MENESES, 2006, p.40).

Nota-se que mais uma vez a alcunha de “cidade fantasma” é usada para caracterizar o insucesso e/ou abandono de uma “cidade-patrimônio”, seja ela tombada (caso de Alcântara) ou não. Nessas circunstâncias é que está inserida a presente discussão sobre o conjunto urbano de Fordlândia e Belterra, com a petição do tombamento oficializada dois anos após a Constituição de 1988, com base no inciso V: “os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico”.

Sabe-se que a história desse empreendimento, considerado por muitos como uma utopia capitalista, foi de ampla repercussão e é capaz de atrair muitos curiosos, mas “o perigo que se corre é o de transformar os bens culturais em meros objetos de consumo, em transformar o patrimônio material em expressão de uma história rasa” (VELOZO, 2006, p. 439).

Ou seja, a patrimonialização, segundo Poulot, tornou-se o mero congelamento do tempo e de uma história com a qual, por vezes, não se tinha identidade, que era mais relacionada a interesses econômicos e ideais nacionalistas, como ocorrido na França na primeira metade do século XIX (POULOT, 2009). Logo, o argumento histórico, tão somente, não deve determinar o objeto ou conjunto como patrimônio. Implica que não apenas o lugar ou objeto situado seja referência em termos de significado, mas o sentido patrimonial atribuído ao lugar (VERGUET, 2015), isto é, a atribuição de valores para que os bens sejam reconhecidos como patrimônio para designar a modalidade sensível de uma experiência do passado, articulada com uma organização do saber – identificação, atribuição – capaz de autentificá-lo, o que Poulot define como “patrimonialidade” (POULOT, 2009, p.28).

Fica, afinal, compreendido que a patrimonialização está relacionada ao reconhecimento do patrimônio, “segundo uma reflexão erudita dos experts e de uma vontade política”, porém, por vezes diverso do seu valor cultural, simbólico e afetivo, estabelecido pela patrimonialidade (POULOT, 2009).

2 Conhecendo Belterra e redescobrindo Fordlândia através da etnografia

Quando nas primeiras visitas a Fordlândia foram encontradas casas preservadas pensou-se, a priori, que se ainda era possível encontrar exemplares preservados com poucas alterações após mais de 70 anos de existência, sem efetivação do tombamento, devia haver interesse da população nesta preservação. Somente ao longo das viagens a campo e através da etnografia foi que se constatou o cenário de controvérsias que permeiam as várias falas dos atores sociais dessa pesquisa.

Há controvérsias também em Belterra, porém de outra natureza, o que justificou fazer o contraponto entre as duas localidades construídas como company towns da Ford no Brasil, ou seja, mesma origem, mesma região, porém com aspectos e dinâmicas que as diferenciam, alguns facilmente observáveis. Quais seriam esses aspectos e o que foi/é determinante para tal diferenciação?

Em ambas existem conflitantes perspectivas entre os residentes com relação ao tombamento. Isso porque os moradores se dividem entre os que estão em defesa da preservação esperando pelo tombamento e aqueles que, apesar de reconhecerem a importância histórica, querem total liberdade para modificar suas casas. Deste modo, o prolongamento do processo de tombamento tem servido também de subterfúgio para o abandono e desmantelo de residências com particularidades da arquitetura residencial construída pelos norte-americanos.

Desde o princípio das pesquisas, em 2014, optou-se pelo uso da etnografia para a imersão em campo, o mais difícil nesse contexto foi manter-se no limite necessário de proximidade e estranheza, pois se por um lado deve haver aproximação e imersão do pesquisador como observador-participante, por outro a pesquisa etnográfica depende do estranhamento, da necessidade de examinar porque alguns acontecimentos nos surpreendem e nesse caso se faz importante ver “de fora” (PEIRANO, 2014).

Produzir etnografias é ofício de antropólogos, todavia na arquitetura há a possibilidade de acrescentar dados importantes relacionados ao espaço construído como dito pela pesquisadora-arquiteta Cristiane Duarte: “Não deve ser à toa que algumas categorias culturais são expressas por meio de alusões à arquitetura (casa-grande e senzala, sobrados e mucambos, casa e rua...)” (DUARTE, 2010, p. 5).

Não diferentemente, em Fordlândia e Belterra as categorias sociais também são expressas através da arquitetura e de todo espaço construído, como por exemplo, quando os moradores se identificam com a alcunha determinada pela Vila onde moram: “Dona Maria das Casas Grandes” ou “Seu Antonio da Mensalista”, afinal são ainda reflexos da hierarquia em níveis profissionais na organização urbana de uma cidade-empresa construída pela Companhia Ford. Desse modo:

A descrição resultante da observação participante, neste caso, conterá inúmeras menções à arquitetura e ao entorno, mas haverá também menção à observação do comportamento, às ações e dinâmicas que acontecem no local estudado. A descrição será mais completa, varrendo todos os prismas da ambiência e trazendo à luz os fatos relevantes para a compreensão do universo cultural que se refaz no lugar estudado (DUARTE, 2010, p.6.)

Por isso, sendo a etnografia de grande valia para a compreensão e interpretação dos anseios dos diferentes atores sociais envolvidos nesse processo, Geertz (2013) ressalta a importância de ir aos lugares e voltar de lá com informações sobre como as pessoas vivem e tornar essas informações disponíveis à comunidade especializada de uma forma prática.

Para facilitar a compreensão, essas descrições serão feitas tendo como referência a localização das residências, de acordo com o nome das vilas correspondentes. Nessa pesquisa deu-se preferência, no entanto, aos nomes estabelecidos e conhecidos atualmente pelos locais[1] podendo, dessa forma, haver divergências dos nomes oficiais estipulados pela Companhia ou mesmo reconhecidos pelo IPHAN.

Foram usadas plantas urbanas com os loteamentos e legendas com a indicação das vilas e os respectivos modelos residenciais encontrados em cada uma. No entanto, em muitas vilas existem variações de tipo, o que se explica pelo fato que de dentro de uma mesma vila havia diferenciação hierárquica, por isso ratifica-se que os modelos usados são demonstrativos e não representam a totalidade.

O Quadro 1, além de situar o leitor sobre as vilas ainda existentes em Fordlândia e como são conhecidas, também evidencia a segregação espacial que fica explícita com o zoneamento de áreas específicas, como área comercial e área industrial e o isolamento da Vila Americana das demais.[2]

 

Para o Quadro 2 foi usado parte do levantamento e dos estudos que estão sendo realizados pelo IPHAN do que viria/virá a ser o polígono de tombamento do Centro Histórico de Belterra, no qual estão incluídas cinco Vilas, onde também é possível notar o característico zoneamento, embora a segregação seja menos evidente em razão das menores distâncias entre as vilas.

Quadro 1: Planta geral de Fordlândia com demarcação das vilas e seus respectivos modelos e características. Fonte: As autoras.Quadro 1: Planta geral de Fordlândia com demarcação das vilas e seus respectivos modelos e características. Fonte: As autoras.

 

Quadro 2: Polígono de tombamento de Belterra com demarcação das vilas e seus respectivos modelos e características. Fonte: As Autoras.Quadro 2: Polígono de tombamento de Belterra com demarcação das vilas e seus respectivos modelos e características. Fonte: As Autoras.

2.1 Viagens a campo e primeiras impressões

Parti da capital, Belém, de avião até a cidade de Santarém, no dia 8 de julho de 2017, o tempo de vôo é de uma hora, aproximadamente. (Diário de campo, 08/07/2017).

            Assim se iniciou mais uma viagem a Fordlândia, mas dessa vez Belterra também entrou para o itinerário. Isso porque, anteriormente, no ano de 2014 foram realizadas duas visitas a Fordlândia para finalmente conhecer o que restou da história construtiva do lugar. Foram os primeiros contatos com as casas de madeira que resistem ao tempo e alguns de seus moradores, que resultou no trabalho de conclusão de curso defendido em 2015.

Existia certo vínculo afetivo com Fordlândia pelo fato de ser natural da região, da cidade próxima chamada Itaituba. A cidade de Ford era rota nas viagens de férias à Santarém e sempre provocou curiosidade, afinal era a cidade construída pelos norte-americanos e a icônica caixa d’água de ferro chamava e ainda chama atenção ao longe pelo rio Tapajós.

Na ocasião das primeiras visitas, foi interessante observar que somente uma das casas visitadas havia sofrido intervenções significativas, com uma obra de ampliação em alvenaria na parte posterior e substituição de telhas, porém a fachada continuava em madeira e conservava os traços originais (Figura 3). Também foi oportuno percorrer o espaço que fora construído ainda pela Companhia Ford como o antigo hospital, o cemitério, o grupo escolar, o cercado (onde estão os galpões com maquinários) e falar com moradores da Vila Americana. Algumas dessas visitas só foram possíveis com apoio de transporte, pois as distâncias parecem maiores devido ao relevo acidentado e condições das vias ‘pedregulhosas’.

 

Figura 3: Foto de uma residência localizada na Vila Matinha, com uma construção em alvenaria na parte posterior. Fonte: Zâmara LimaFigura 3: Foto de uma residência localizada na Vila Matinha, com uma construção em alvenaria na parte posterior. Fonte: Zâmara Lima

Houve certa facilidade em adentrar a realidade dos moradores em Fordlândia, pois estava ali como visitante/hóspede de uma moradora, Maria do Carmo Barreto, que foi a facilitadora. Pedi que ela indicasse algumas pessoas, íamos às casas como visitas, como quem vai à casa de um vizinho próximo. Ela os chamava pelos nomes, eles pareciam receptivos, convidavam para entrar e conversávamos, afinal são velhos conhecidos, sempre entre histórias do passado e queixas do presente.

O que não ocorreu da mesma forma em Belterra, na última viagem, onde as incursões foram feitas sem um facilitador e foi mais desafiador dissimular aquela imagem de pesquisadora, ainda que tentasse ser discreta e aparentar familiaridade. Por isso, foi necessário agir com mais cautela ao abordar as pessoas, pois a desconfiança gera empecilhos, era necessário rompê-la. Por esse motivo, pediu-se que alguns dos entrevistados fossem indicados, seja por outro morador ou por servidores municipais com quem se teve contato primeiramente. Alguns dos moradores sugeridos não foram encontrados em seus domicílios e foi necessário escolher de forma aleatória para completar o número de entrevistados proposto: cinco moradores que representassem cada localidade.

Entretanto, como dito por Geertz (2013) “não se trata de ser como um nativo ou agir como pesquisador”. Na etnografia é necessário que haja perspicácia por parte do pesquisador para produzir uma interpretação não limitada pela visão daquele povo, ou seja, captar as informações do ponto de vista daqueles moradores, porém de forma que se permita estabelecer uma conexão com seus questionamentos.

Contudo, em ambas as localidades, os perfis das pessoas com quem se conversou eram: moradores de uma das casas construídas pela Companhia Ford, a maioria da terceira idade já que alguns nasceram e chegaram a viver ainda no regime de cidade-empresa e/ou foram funcionários do Ministério da Agricultura e também pessoas que tiveram algum envolvimento direto ou indireto em grupos, associações e/ou comissões formados em prol do patrimônio e do tombamento dessas residências.

Alguns moradores mencionaram ser usual visitantes os procurarem, sejam pesquisadores, turistas ou curiosos em busca de histórias sobre esses lugares. Talvez por essa razão não houvesse hesitação ao nos receber, estavam acostumados e pré-dispostos. No quadro abaixo sintetiza-se algumas percepções de moradores das duas cidades acerca dos visitantes:

 

Fordlândia

Belterra

(...) eu tô aqui há quinze anos... todas as vezes, acho que eu dei mais de cem entrevistas, mas de cem pessoas já vieram aqui já... eu tenho gosto de levar lá pra mostrar tudo (...) (Waldemar Gomes de Aguiar. Entrevista realizada em 13/07/2017)

(...) sempre eles procuram as pessoas mais velhas para fazer algumas indagações. Há um pouco mais de um ano, eu fui convidado por uma equipe que veio dos Estados Unidos – eles fizeram um filme – entrevistou o Seu Edy Jansen. Eles sempre nos procuram para darmos algumas informações, fazer pesquisas. (Delmas Brito da Silva. Entrevista realizada em 19/09/2018)

Os turistas vêm constantemente. (...) Eu tenho recebido muitos turistas de todas as partes, principalmente para contar histórias. Alguns trazem tradutor, outros gravam e devem fazer o “estudo” por lá. Pessoas do Japão, França, Alemanha, já fizeram até filme por aqui. Os que normalmente vem aqui comigo é por querer conhecer mesmo o lugar, pois era muito badalada a Companhia pelo nome Ford. (Chardival Moura Pantoja. Entrevista realizada em 24/09/2019)

Os turistas vêm muito aqui em minha casa tirar fotos do meu jardim. (Francisca Amaral Lima. Entrevista realizada em 24/09/2018)

Quadro 3: Excertos de conversas com moradores de Fordlândia e Belterra Fonte: As autoras

 

As percepções nas chegadas a cada uma também foram diferentes. Fordlândia é uma comunidade ribeirinha, à margem do rio Tapajós do qual é totalmente dependente, seja para pesca, uma das principais atividades econômicas ou como via de deslocamento, haja vista que o principal meio de transporte é o fluvial, seguido do rodoviário, precário, com acesso pela Rodovia Transfordlândia. Belterra, por outro lado, apesar de também estar localizada a poucos quilômetros do mesmo rio, não mantém a mesma relação de dependência das águas fluviais já que a sede municipal não se encontra na margem e tem como principal meio de transporte o rodoviário, devido a facilidade de acesso pela Rodovia Santarém-Cuiabá, utiliza-se do rio mais como lazer e atrativo turístico, explorando suas belas praias de água doce.

Entretanto, as diferenças geográficas possuem explicações históricas. Após a implantação do empreendimento em Fordlândia o projeto fracassou devido a alguns fatores, dentre eles, a má escolha da localização em razão do terreno acidentado que dificultava o desenvolvimento do cultivo da seringueira, a restrição à navegação de navios de grande calado durante o período de estiagem e o distanciamento em relação ao porto de Santarém, lugar de concentração de mão-de-obra. (PEREIRA; LEITE, 2011). Logo:

Para solucionar tais problemas, a administração da Companhia Ford Industrial do Brasil decidiu ampliar e deslocar suas atividades para outra área, ainda na Amazônia, em terras mais altas, com acesso mais viável e supostamente em uma área imune aos fungos que atacaram as plantações de Hevea em Fordlândia. Assim, no ano de 1934, os investimentos da empresa irão se concentrar na construção de outro núcleo urbano industrial, ainda em solo amazônico, inicialmente denominado Bela Terra que logo em seguida passou a ser conhecido como Belterra (Dossiê de Tombamento - IPHAN, 2017).

Fordlândia revela uma dinâmica no cotidiano à semelhança dos pequenos povoados amazônicos às margens dos rios, chamados de cidades ou comunidades ribeirinhas. As características de uma cidade ribeirinha na Amazônia estão associadas ao reduzido tamanho territorial e pequena dimensão populacional; a tradição no que se refere ao ordenamento espacial; e, ter funções urbanas de âmbito local, havendo forte conexão com o entorno, com a floresta e o rio (MACEDO; TOURINHO; BRAGA, 2018. p. 164).

Essa conexão se reflete, por exemplo, quando, sempre próximo aos horários da passagem de embarcações, alguns moradores se dirigem até o trapiche de embarque, onde encostam barcos e lanchas vindos principalmente das cidades de Itaituba e Santarém. Vão para receber familiares, amigos ou encomendas vindas das cidades vizinhas ou ainda como forma de passar o tempo para conversar e os que possuem veículos próprios ainda aproveitam para transportar os recém-chegados, já que o lugar não conta com serviços públicos de mobilidade. Pode-se dizer que a passagem das embarcações serve de “marcadores temporais”, por sinalizarem a chegada sempre nos mesmos horários, com os apitos que podem ser ouvidos a longas distâncias.

Todavia, Belterra, um município relativamente novo, mostra-se mais urbanizado, mas ainda com dificuldades de infraestrutura, comunicação e serviços. Lugar onde muitos pontos comerciais fecham para o almoço, deixando as ruas quase desertas nesse período do dia, costume muito comum em cidades do interior do estado.

Após essas primeiras impressões, buscou-se conversar com os moradores e representantes da gestão municipal, envolvidos diretamente nas questões ambientais e patrimoniais.

2.2 Caracterização arquitetônica e o tombamento da arquitetura em madeira

            Tratando-se de Amazônia, outra semelhança com as demais cidades ribeirinhas são algumas moradias construídas pela Companhia Ford que evocam o tipo palafita:

(...) trata-se de um padrão espacial que pode ser descrito pelo sistema mata-rio-roça-quintal (Loureiro, 2001) presente às margens de igarapés, rios e furos, indicando a resistência de uma cultura que se adaptou às terras baixas e alagáveis, ao ciclo das águas, a uma floresta densa e ao clima úmido com chuvas frequentes, firmando-se como comunidades tradicionais em palafitas ao optarem por casas elevadas do chão, dependência ao rio e grande permanência na paisagem amazônica (...) (MENEZES, PERDIGÃO, PRATSCHKE, 2015. p. 241-242)

Há similaridade na organização formal e construtiva, já que são construídas totalmente em madeira e elevadas do solo sobre esteios e barrotes com seção retangular ou quadrangular (nas unidades menores) e empenas geralmente triangulares[1], também há a presença de girais e por vezes pequenas varandas (RIBEIRO, 2011).

Entretanto, as residências análogas às palafitas que foram construídas em Fordlândia (Fig. 4) aparentemente não apresentam relação direta com o rio ou áreas alagáveis como é de costume na Amazônia. De acordo com o que se pôde perceber, as unidades identificadas e aqui citadas não estão localizadas nas encostas do rio, nem em áreas de várzea, o que leva a crer que a altura do solo não está condicionada ao fator de oscilação do nível da água (BRUGNERA et al., 2016), pois são fixadas em área de terra firme.

Por outro lado, o chamado Bangalô da Matinha (3), por exemplo, encontra-se em uma área de relevo acidentado, embora não seja possível afirmar como era a superfície dessa área no período da construção, já que as águas pluviais podem ter causado a erosão com o passar dos anos.

 

Figura 4: Residências em Fordlândia que se assemelham ao tipo palafita amazônico: 1. Exemplar Bangalô da Matinha; 2. Exemplar da Prainha. Autora: autora 1, 2014. Fonte: Zâmara LimaFigura 4: Residências em Fordlândia que se assemelham ao tipo palafita amazônico: 1. Exemplar Bangalô da Matinha; 2. Exemplar da Prainha. Autora: autora 1, 2014. Fonte: Zâmara Lima

 

De outro modo, em Belterra, construída sobre um platô, não foram encontrados modelos que permitissem relacioná-los às palafitas amazônicas. O tipo mais recorrente foi o tipo bangalô, sendo encontrados modelos em madeira e em blocos cimentícios (Fig. 5).

Os bangalôs podem ser entendidos como casas vernaculares, térreas, destinadas a uma só família, cujo elemento principal é a varanda, fundamental para a climatização interna da residência, geralmente dispostas ao centro do lote, muito comum nos subúrbios ingleses e norte-americanos (SANTOS; GHIRARDELLO, 2016).

Muitas indústrias, empresas de mineração, companhias ferroviárias passaram a construir esse tipo de moradia de forma a melhorar as condições de salubridade das vilas operárias de forma racional e barata, principalmente a partir da década de 1890 (CORREIA apud SANTOS; GHIRARDELLO, 2016).

 

Figura 5: Bangalôs encontrados em Belterra, sendo: A - em madeira; B – Em bloco cimentício.  Fonte: Zâmara Lima Figura 5: Bangalôs encontrados em Belterra, sendo: A - em madeira; B – Em bloco cimentício. Fonte: Zâmara Lima

 As casas construídas em madeira, assim como em Fordlândia, são justapostas em esteios e barrotes ficando em um nível acima do nível do solo, porém há uma considerável diferença em alguns níveis de elevação como se pode comparar na Imagem 4, o que demonstra que a elevação se justifica não só pelo fator umidade, mas também pelo relevo.

Contudo, é importante destacar outras publicações que estabeleceram diferentes analogias arquitetônicas com as casas construídas pela Companhia Ford na Amazônia. Em Grandin (2009), o autor associa essa arquitetura às casas de estilo Cape Cod, habitação norte-americana típica entre os anos 1930-1950.

Caracteriza-se pelo formato retangular da habitação, tradicionalmente com telhado em duas águas com grande inclinação, com águas furtadas, cumeeiras altas, simplicidade de adornos, porta de entrada colocada no centro da composição edilícia, incorporando uma varanda rodeada por painéis de janelas e uma chaminé central (que não é vista em Fordlândia) (RAZENTE, 2012, p. 662. parêntese nosso).

 Seja qual for o tipo adotado como referência, este traz um fator importante para a discussão: as edificações em madeira no âmbito do patrimônio cultural, levando-se em consideração que as mesmas são perecíveis, principalmente para o clima quente e úmido da Amazônia.

Tanto em Fordlândia quanto em Belterra há queixas dos moradores sobre a dificuldade na manutenção das casas e a preferência pela alvenaria, o que foi corroborado pelo arquiteto da prefeitura de Belterra: “Parece que eles não querem casa de madeira, querem alvenaria.” (Lucas Rotta, entrevista realizada em 24/09/2018).

Na pesquisa de Lewgoy (1996), por exemplo, encontra-se em algumas falas de proprietários refutações ao tombamento das casas de madeira como: “(...)Tu não achas que, na época em que essas casas foram construídas, se as pessoas pudessem ficar morando em casas de alvenaria, elas iriam ficar morando nessas casas de madeira? Sabe o que foi que tombaram? Um monte de lenha cheio de cupins!” G.P. (LEWGOY, 1996. p.21).

 De modo geral as construções em madeira sofrem rejeição por serem consideradas de material pouco nobre, oferecerem pouca segurança e demandarem maiores cuidados com manutenção periódica para proteger da umidade e de insetos xilófagos, principalmente quando se refere a bens tombados ou de interesse a preservação. Consequentemente, muitos habitantes desse tipo de moradia optam por alvenaria, o que gera tais conflitos de interesses. 

Além do conjunto de Antônio Prado, pode-se citar outros bens e conjuntos totalmente ou parcialmente em madeira tombados pelo IPHAN os quais indicam caminhos para o tombamento e a preservação em Fordlândia e Belterra. Dois exemplos dispares, mas que podem exemplificar as dificuldades dessa arquitetura na região são: a casa de Chico Mendes (AC) e a Vila Serra do Navio (AP).         

A casa onde morou Chico Mendes está localizada na cidade de Xapuri no Acre. Foi o primeiro bem tombado do estado pelo IPHAN, por remeter ao líder seringueiro conhecido nacionalmente e de relevância para a história do lugar, por ser um dos principais protagonistas dos movimentos socioambientais das décadas de 1970 e 1980 em defesa dos modos de vida da população que vivia na floresta, perseguido e assassinado por fazendeiros devido a esses conflitos. (IPHAN, s.d.)

A arquitetura simples é um exemplar da arquitetura vernácula da Amazônia, “a planta traduz a simplicidade da construção, modelada com os espaços mais básicos para uma moradia: quatro cômodos, formados por sala, dois quartos e cozinha, interligados por um corredor lateral” (TINOCO, 2014).

A casa e as demais casas em madeira existentes na região fazem parte da memória coletiva do Acre tanto pela significação quanto pelo uso de técnicas vernaculares. Segundo a pesquisa do arquiteto Jorge Eduardo Lucena Tinoco (2014), a casa sofreu intervenções anteriores tais como: “repinturas, substituição de algumas madeiras estruturais e de vedações, pátina no piso, calçamento e grama ao redor da casa, embasamento em alvenaria de tijolos numa tentativa frustrante de se evitar umidades e infiltrações nos esteios de madeira.”

O arquiteto cita que a casa é suspensa cerca de 40 cm do solo, e alerta para o perigo das madeiras encontradas guardadas sob o desvão do embasamento do piso e sobre uma alvenaria construída ao redor que deveria conter a umidade, mas que resultou no apodrecimento da base das tábuas de vedação externas (TINOCO, 2014).

Segundo o IPHAN, no início de 2015, período do inverno amazônico de recorrentes chuvas, houve uma enchente que atingiu a casa e logo em seguida o órgão realizou aprovação e licitação para o projeto de restauro:

Com as obras, a Casa de Chico Mendes recebe reforço estrutural dos pilares e amarrações nas junções da estrutura, para que no caso de eventuais novas enchentes sua estabilidade esteja garantida. Também será feita a microdrenagem ao redor da edificação para minimizar os efeitos da umidade sobre os pilares de madeira.  As partes da edificação que estão com danos irreversíveis terão a madeira substituída ou complementada com enxerto ou preenchimento. (CASA DE CHICO MENDES. Portal IPHAN, 2016)

 Através dessa descrição de procedimentos a serem realizados para conservação, preservação e restauro da Casa de Chico Mendes se pode depreender algumas precauções a serem tomadas também em Fordlândia e Belterra. Embora não exista, aparentemente, risco iminente de enchentes e alagamentos, são necessárias medidas que minimizem os efeitos da umidade e consequentemente do apodrecimento da madeira e a preparação desta contra insetos xilófagos, bem como a substituição ou preenchimento das peças que apresentarem maiores danos

3 Considerações finais

Há uma tendência de se incluir cada vez mais diferentes formas de construir às políticas de preservação, no entanto, coexiste ainda a falta de conhecimento e rejeição por outros tipos de construções, como por exemplo, a arquitetura em madeira, principalmente quando de traços simples, como as das vilas operárias em Fordlândia e Belterra, ou mesmo, a Casa de Chico Mendes em Xapuri (AC). Por isso a importância de se resgatar a memória dos moradores, reviver as memórias afetivas e encontrar nas memórias coletivas argumentos que os façam perceber que o valor não está no material construtivo, mas na significação e identidade.

Através das incursões em campo e etnografia se pôde perceber que nas duas localidades os moradores remanescentes mantêm vivas as memórias afetivas dos tempos da Companhia, inclusive com certo saudosismo ao comparar o passado com o presente. Entretanto, a importância histórica e as memórias individuais e coletivas não têm sido suficientes como forma de salvaguardar o bem imóvel, principalmente em Fordlândia, onde um número significativo de casas teve a madeira substituída por alvenaria, o que implica na necessidade de utilização de estratégias para a luta de significação através do simbolismo que hierarquiza as técnicas construtivas.

Por fim, considera-se que há elementos suficientes para que se busque a patrimonialização, mas, por outro lado, não há como descartar as dificuldades em se manter as construções em madeira em uma região quente e úmida sem que haja orientação e suporte, e principalmente recursos materiais para os cuidados necessários.

Referências

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Nota: Artigo integrante da Dissertação de Mestrado A Patrimonialização de Company Towns: o caso de Fordlândia e Belterra, defendida no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará, 2019.

  

[1] Em Fordlândia também são encontradas  residências com empenas trapezoidais ou chanfradas.

 [2] Durante a pesquisa surgiram outras denominações de vilas não sendo possível desvendar se seriam vilas não mais existentes ou que mudaram de nome com o passar dos anos. Ex: Vila Chapéu, em Fordlândia.

[3] O zoneamento e segregação espacial encontram-se mais detalhados no artigo “Fordlândia: A modernidade da Arquitetura Fordista na Amazônia”, que integra a dissertação.

 

Minicurrículos 

 

Cybelle Salvador Miranda é Arquiteta e Urbanista e Doutora em Antropologia pela Universidade Federal do Pará, possui Pós-doutoramento em História da Arte pela Universidade de Lisboa. Coordena o Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (LAMEMO) da Universidade Federal do Pará e é docente da Faculdade de Arquitetura e urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e urbanismo (PPGAU), Belém, Pará, Brasil. Lidera o grupo de Pesquisa Arquitetura, memória e etnografia.

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Zâmara Elaíne Anunciata Lima é Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Pará no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFPA, 2019), Arquiteta  e Urbanista pela Universidade Federal do Pará (UFPA, 2015) e Designer de Interiores pela Universidade da Amazônia (UNAMA, 2008).

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Como citar:

MIRANDA, Cybelle Salvador; LIMA, Zâmara Elaíne Anunciata. Fordlândia e Belterra: percursos etnográficos e a patrimonialização da Arquitetura em madeira. 5% Arquitetura + Arte, São Paulo, ano 16, v. 01, n.21, e168, p. 1-23, jan./jul./2021. Disponível em: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/periodico-1/ciencias-sociais-aplicadas/fordlandia-e-belterra-percursos-etnograficos-e-a-patrimonializacao-da-arquitetura-em-madeira

 

Submetido em: 2020-11-30

Aprovado em: 2021-05-08

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