A arte e a percepção visual como processo pedagógico para o ensino fundamental

Categoria: Ciências sociais aplicadas: Arquitetura Imprimir Email

JONATA DA TRINDADE FERREIRA

JOSÉ FRANCISCO DA SILVA COSTA

Resumo

O presente artigo objetiva realizar uma reflexão sobre a importância do ensino da Arte no contexto escolar, compreender os desafios dos alunos frente as diversas formas de arte que estão presentes na vida cotidiana dos educandos e as praticidades de atividades lúdicas vivenciadas a partir da escola podendo serem exploradas nas dimensões e contribuições na formação artística das crianças. Entretanto a arte é considerada como ferramenta pedagógica no espaço escolar por propiciar experiências significativas às crianças a partir da interação com o outro. Ela contém, em seu núcleo, uma maneira simbólica de educar para a sensibilidade, para a ativação das emoções, para a visualidade das formas novas de intelecção artística.

Os procedimentos utilizados no referido trabalho centraram-se em pesquisa bibliográficas por meio de revisão bibliográfica como base de conhecimento aprofundado em estudos que abordam sobre a importância de se ensinar a arte no contexto escolar. Dessa forma a arte se designa a promover uma interlocução de ensinamentos, metodologias, conhecimentos e saberes importantes para dar respaldo e subsidiar material à ação educacional nos anos Iniciais do ensino fundamental.

Palavras-Chave: Arte. Percepção Visual e Aprendizagem.

 1 Introdução

O contato com manifestações artísticas começa a fazer parte da vida das crianças desde muito cedo, contribuindo com o seu desenvolvimento. É importante que os educadores estimulem por meio de atividades lúdicas a percepção visual das crianças. No entanto, para que isso aconteça, é preciso que sejam realizadas nas aulas de artes, estratégias que despertem interesse e atenção dos alunos nas atividades desenvolvidas.

As Artes Visuais e o conhecimento da imagem são de suma importância na educação em todas as modalidades, pois se tornam fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, motor e perceptivo da criança. É importante utilizar a Arte como um recurso que auxilie a formação da criança, trabalhando-a não como forma de lazer e distração ou um recurso decorativo, mas sim como uma forma de aprendizagem, cheia de objetivos importantes no desenvolvimento do aluno. Por essa razão, foi elaborada a seguinte questão norteadora: De que forma podemos desenvolver as atividades de Arte como ferramenta pedagógica no espaço escolar no ensino fundamental?

Como proeminência, a metodologia utilizada nesta pesquisa é bibliográfica, porque é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material disponibilizado na Internet. Diante dessa abordagem, considera-se a Arte Visual como ferramenta pedagógica no espaço escolar no ensino fundamental, objetivando a importância das contribuições na aprendizagem e favorecimento de conhecimentos artísticos e culturais que possibilitam a criança a desempenhar uma linguagem que é própria de sua cultura e compreender o mundo artístico como meio de comunicação.

A relevância do trabalho está no fato de que a arte visual, na realidade educacional se trata de ferramentas pedagógicas no contexto de sala de aula, como eixos de construção do conhecimento da criança do ensino fundamental e demais esferas educacionais que propiciam nas conjunturas uma diversidade artística o empoderamento social, cultural e político 1º e 2º parágrafo: apresentação do tema dentro de um contexto.

 2 A percepção e a alfabetização visual no ensino fundamental 

Nesta seção são abordados os principais conceitos sobre percepção visual, como ocorre na infância e a importância das artes visuais para a educação e desenvolvimento da criança no ensino fundamental, baseando-se em alguns teóricos que abordam a temática. Sabendo que “as Artes Visuais estão presentes no cotidiano de forma marcante e atualmente é preciso notar a relevância da imagem na cultura. Dessa forma, é vivenciando a Arte desde criança que a sociedade aprenderá a valorizar a sua cultura” (FERREIRA, 2015, p. 9).

2.1 A percepção visual  

O processo educativo da criança é constante, desde cedo ela é incentivada a frequentar a escola, para que comece a ter familiaridade com as mais diferentes áreas do conhecimento, desenvolvendo a linguagem, o raciocínio lógico-matemático, compreendendo os espaços humanos, as histórias da humanidade, o desenvolvimento científico de tal modo a permitir que a criança consiga se encontrar no mundo e a se relacionar com ele.

No entanto, para algumas áreas do conhecimento, o incentivo não é bem evidenciado, carecendo de um trabalho mais direcionado e específico. É comum nos meios educacionais se falar em alfabetização em um sentido muito estreito, já que da forma como é evidenciado é sempre dado destaque à matemática e a língua materna como únicas formas de alfabetização. Assim, a criança carece de uma alfabetização visual também, em seu desenvolvimento, pois a educação visual é fonte de conhecimento que a criança deve adquirir. Desse modo:

Para a criança, a percepção visual é muito importante e pode ser mais bem aguçada nas aulas de artes. A criança na Educação Infantil precisa de estímulo para adquirir novos saberes e se apropriar de seus conhecimentos, por isso, o educador deverá incentivá-la em suas criações, valorizar suas diversas formas de expressão e de se comunicar com o meio (FEREIRA, 2015, p. 9).

Ao ser estimulado, a criança consegue se expressar por uma linguagem onde a cor e forma são elementos inerentes à sua vida cotidiana. Todo esse processo não acontece de forma isolada, é necessário a presença de um sujeito que incentivará a criança na busca por novas formas de se comunicar, esse sujeito é o educador, sem sua participação incentivadora, dificilmente a criança será alfabetizada do ponto de vista visual. Por isso, o educador deve dinamizar suas formas de trabalhar, a fim de conseguir que a criança se expresse de maneira espontânea e artística.

Em uma primeira análise, ao se perceber no mundo, a criança faz a utilização dos cinco sentidos para se comunicar e entender tudo que está ao seu redor. São os sentidos que favorecem que o crescimento da criança aconteça por meio da interatividade. Ao ouvir um som a criança quer saber do que se trata, ao tocar em um objeto a criança descobre a forma, textura, dimensão, densidade, volume e ao enxergar um objeto ou o meio em que está inserida, a criança percebe as cores em suas unicidades e misturas, interagindo uma com as outras a fim de se apresentar de forma única para que a observa. Por isso:

 A visão, o tato e a audição são os meios pelos quais a criança descobre o mundo, sendo que nesta fase ela não se priva de ver, ouvir e sentir. Esses sentidos permitem que a criança perceba as coisas (tamanho, forma e cor) que fazem parte do meio, o tato possibilita que a criança sinta diferentes texturas, agradáveis ou não. A criança nesta fase escuta tudo e se dispersa facilmente, quanto a sons em alto volume, a criança pode se assustar (DUARTE e BATISTA, 2013, p. 295).

 A visão permite a criança conhecer o mundo em um processo dinâmico, pois as cores se misturam e interagem com as formas e sons, ganhando movimento, dinamicidade, se apresentando como uma linguagem.

Deve-se ressaltar que quanto mais cedo a criança for incentivada à linguagem visual, mais eficiente será suas inferências sobre o mundo. Nesse sentido, segundo Pimenta e Caldas (2014, p. 23), “as funções psicológicas encontram na infância um período elementar para sua formação, sendo este o primeiro momento de apropriações culturais e, portanto, do aperfeiçoamento dos processos psíquicos”. Por isso, a importância de se trabalhar a alfabetização visual no período da infância está na compreensão do processo formativo das funções psicológicas.

Um dos grandes autores, que contribuiu de maneira expressiva na questão da percepção de maneira geral, Vygotsky, ampliou a compreensão acerca do tema, apresentando a amplitude e a relevância da percepção como um processo integral. Assim:

 Os estudos de Vygotsky (2001) consideram que a percepção do todo precede a percepção das partes isoladas. A percepção é um processo integral e não atomístico, mesmo que as partes isoladas se alterem a percepção mantém esse caráter integrador, ou seja, alterando-se as partes surge uma percepção integral distinta. Dessa forma, compreende que o caráter estrutural da percepção é primário, estando presente desde os primeiros anos de vida (PIMENTA e CALDAS, 2014, p. 3).

 A percepção possui um aspecto amplo, total, não fragmentado por isso a tem caráter totalizante, integradora que permite que entendam as partes a partir do todo. Outra abordagem significativa foi apresentada no trabalho de Dondis (1991), onde evidencia que, “A experiência visual humana é fundamental no aprendizado para que possamos compreender o meio ambiente e reagir a ele; a informação visual é o mais antigo registro da história humana” (DONDIS, 1991, p. 7).

Para a autora, a experiência visual é um ato de aprendizagem significativa e que remonta os primórdios, pois através dela o ser humano conseguirá compreender o meio em que o mesmo se engloba. Desta forma, Endo e Roque (2017), citando Lamb, Hair e McDaniel (2012) definem por percepção:

 O processo pelo qual selecionamos, organizamos e interpretamos estímulos, traduzindo-os em uma imagem significativa e coerente. “Na essência, a percepção é a forma como vemos o mundo ao nosso redor e como reconhecemos que precisamos de ajuda na tomada de uma decisão de compra” (LAMB; HAIR; MCDANIEL, 2012, p.99 apud ENDO e ROQUE, 2017, p. 07).

Observa-se que para os autores a percepção é um processo que se desenvolve a partir das informações captadas pelo olhar, que se transforma em uma imagem e que nos ajuda a fazer a compreensão do que podemos ver ao nosso redor. Outra inferência realizada por Vygotsky, acerca da percepção humana, foi decisiva para que não houvesse más interpretação. Por isso:  

Para Vygotsky, a percepção humana não possui apenas um desenvolvimento aperfeiçoado das formas animais, mas as leis básicas que regem as formas superiores dos processos psicológicos humanos possuem estruturas distintas das que estão presentes nos animais. A partir de diferentes visões sobre o tema da percepção, Vygotsky dialoga com estes pressupostos, aponta as contradições, refuta-as, para então produzir a sua síntese (PIMENTA e CALDAS, 2014, p. 4).

Na teoria de Vygotsky, a percepção humana obedece a estímulos psicológicos que são aperfeiçoados ao longo da vida de forma distinta dos animais. A percepção humana está em constante transformação, e apresenta visões diferentes durante seu aperfeiçoamento.

Conhecer as etapas dessas transformações permite organizar ações direcionadas às crianças, de modo a obter maiores resultados. Nas pesquisas desenvolvidas por Farroni (2013), o autor destaca o sistema visual desde os primeiros meses de vida. É interessante destacar os detalhes de cada elemento que constitui o sistema visual humano. Por isso, a atenção prática dos professores deve ser direcionada à fase da infância, por meio de estimulação, isso porque:

Nos primeiros meses de vida, o sistema visual ainda está em desenvolvimento. Do nascimento até a maturidade, o tamanho do olho aumenta em até três vezes, e grande parte desse crescimento é concluído aos 3 anos de idade; um terço do crescimento do diâmetro ocular ocorre no primeiro ano de vida (FARRONI, 2013, p. 3).

 O desenvolvimento maior acontece nos primeiros anos de vida, eis a necessidade de ações lúdicas multicoloridas, que tanto pais ou professores, especialmente os que trabalham em creche, devem realizar. Não se pode esquecer que o desenvolvimento visual ocorre etapas distintas da criança, até se tornar adulta, mas o enfoque deve estar na infância, onde o desenvolvimento é mais acentuado.

Nesse sentido, os estímulos são importantes para o desenvolvimento da visão da criança, e quanto maior a variedade oferecida à criança, maior será o aprendizado de novas percepções de um determinado objeto. Isso porque, é a experiências sensorial visual da criança que está sendo nutrida e cuidada, a fim de que a linguagem visual seja compreendida em uma profundidade, de maneira a não se perder a mensagem visual transmitida. Isso, pode ser justificado considerando que:

Dondis (1997) ao tratar da anatomia da mensagem visual classifica-a em três níveis: representacional, abstrata e simbólica. Dos três níveis, o mais elementar é o representacional (figurativo) e o mais complexo é o abstrato. A composição representacional trata de modelos concretos e reais. Já a composição abstrata trata da mensagem visual pura, da subestrutura: ponto, linhas e planos, logo, é o nível mais importante para o desenvolvimento do alfabetismo visual. Segundo a autora, “o alfabetismo visual implica compreensão, e meios de ver e compartilhar o significado a um certo nível de universalidade”. A autora explica que dentre todos os meios de comunicação humana, o visual é o único que não dispõe de um conjunto de normas e preceitos, de metodologia e para ver, é necessário antes, aprender a ver. O aprendizado acontece por meio de um “infinito retrocesso”, a explicação de uma coisa em termos de uma outra anterior. As representações se baseiam em ilusão, cujas regras de convencimento mudam com o tempo. Se nossa percepção é capaz de aceitar uma ilusão corrente, a obra será assimilada um único sistema com critérios definidos, tanto para a expressão quanto para o entendimento dos métodos visuais (DONDIS, 1997, Apud VAZ, SIQUEIRA e SILVA, 2017, p. 3).

 Esses três níveis da mensagem visual, proporciona ao professor que irá trabalhar em sala de aula com as crianças, uma sequência de desenvolvimento e permite que o aprendizado, possa ser compreendido na medida que o desenvolvimento da visão e percepção vão mudando com o tempo, não há segredo na metodologia, e sim o fato de aprender a ver repetidas vezes para se criar um entendimento do objeto ou coisa representada.

 A metodologia criada por Dondis (1997) para o estudo da linguagem visual tem como fundamento que a sintaxe visual é complexa, para tanto, cada parte deve ser pensada em relação ao todo a partir dos seguintes requisitos: conhecer as linhas gerais para a criação de composições visuais, no entendimento de que cada composição tem sua particularidade; dominar o uso dos elementos básicos e a relação entre eles; associar os elementos básicos com as técnicas manipulativas para criação de mensagens visuais (DONDIS, 1997, Apud VAZ, SIQUEIRA e SILVA, 2017, p. 3).

 Por meio da aquisição dessa metodologia, a arte entra como uma aliada a esta educação para a percepção da cultura visual, pois pode evidenciar a trajetória percorrida pelos olhares em torno das representações visuais das diferentes culturas, para confrontar criticamente os estudantes com elas.

 2.2 A importância da alfabetização visual

Chamamos alfabetização visual a sensibilidade à maneira como as “imagens são utilizadas e manipuladas para conter mensagens precisas e reunirem informação. A alfabetização visual é a capacidade de entender o que está a ser visto numa imagem, incluindo certas convenções tais como perspectiva e profundidade” (TAROUCO, 2018, p. 3). Por isso, compactua-se aqui com a concepção de alfabetização de Edwards (2005):

Entende-se aqui por alfabetização a capacidade de ler e escrever símbolos. Embora geralmente se pense a alfabetização com respeito à palavra escrita, pode-se considerá-la aplicável de maneira mais ampla a outros sistemas convencionais de representação e comunicação (EDWARDS, 2005, p. 02)

 Nesse contexto a alfabetização visual é entendida como o processo de aprendizagem de leitura e escrita dos símbolos imagéticos. No que diz respeito ao domínio dos elementos visuais – o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a escala ou proporção, a dimensão e o movimento – cada elemento tem ligação com o tema representado. Consequentemente, no exame da composição visual não tem como separar o nível representacional dos outros dois: o simbólico e o abstrato. Conforme explica Dondis:

 Em todos os estímulos visuais e em todos os níveis da inteligência visual, o significado pode encontrar-se não apenas nos dados representacionais, na informação ambiental e nos símbolos, inclusive a linguagem, mas também nas forças compositivas que existem ou coexistem com a expressão factual e visual. Qualquer acontecimento visual é uma forma com conteúdo, mas o conteúdo é extremamente influenciado pela importância das partes constitutivas, como a cor, o tom, a textura, a dimensão, a proporção e suas relações compositivas com o significado (DONDIS, 1997, p. 22).

A mensagem visual é ampla e tange na característica holística, já que tudo está interligado, as partes se agrupam para que o todo não seja prejudicado e a perspectiva da parte implica na compreensão do todo, como signos linguísticos que se agrupam para transmitir uma mensagem, neste caso visual. Por isso, desenvolver a alfabetização visual é imprescindível, pois a sociedade faz utilização de mensagens por imagens e:

 Essa ampliação da percepção visual dará ao aluno condições de conhecer melhor a sociedade de sua época e tomar contato com as de outros povos. Ao se sensibilizar a respeito do universo visual de seu cotidiano, o aluno vai conhecer melhor a si mesmo, compreender sua cultura e ampliá-la com a de outros tempos e lugares. Um dos objetivos da educação para a compreensão, é que os estudantes sejam capazes de transferir o que aprenderam a outras situações e problemas, além de ajudá-los a desenvolver sua própria identidade ao depararem-se com experiências de pessoas distantes e diferentes no tempo e no espaço geográfico, ampliando suas experiências e compreensão sobre a realidade em que vivem (SILVA, 2010, p. 14).

É interessante frisar a questão do autoconhecimento por meio da ampliação da percepção visual, que ao praticá-la, o aluno passa a realizar inferências significativas em sua cultura e passará a compreender outros aspectos presentes em outras culturas, ganhando conhecimento e formação humana, já que a expressão visual é uma expressão humanidade do ser humano. Não apenas isso, outras vantagens da percepção visual são apresentadas por Antunes (2000), onde destaca que:

 A percepção é uma aliada da sabedoria. É essencial que nossos alunos aprendam a enxergar mais profundamente e descubram a sabedoria crescendo com seu crescer; é essencial despertar-lhes a capacidade motora de enxergar, alfabetizá-los primeiro em olhar e depois em ver. (ANTUNES, 2000, p.53).

 No contexto, verifica-se que a imagem é representativa, que expressa algum significado, e que pode ser utilizada para transmitir informação ou ser uma dinâmica de aprendizado, no entanto é necessário aprender a ler as imagens, cada detalhes tem que ser levado em consideração e “a partir deles, obtemos matéria-prima para todos os níveis de inteligência visual, e também é através deles que se planejam e expressam todas as variedades de manifestações visuais, objetos, ambientes e experiências” (DONDIS, 1991, p.23).

Ponderando o exposto, é necessário compreender a importância de trabalhar a arte no contexto de sala de aula por meio das praticas metodológicas conduzida pelo professor na escola, e este compreender o momento de aprendizado da criança. Nesse sentido, “O professor precisa estar atento e ser muito criativo para elaborar atividades que possam desenvolver o potencial artístico que toda criança traz dentro de si”. (FERREIRA, 2012, p. 54).

Por isso, as práticas de Artes em sala de aula devem favorecer à constante alfabetização visual, não se pode parar em nenhum momento quando se busca a boa efetividade da alfabetização, pois, segundo Catalá, citado por Campanhole (2014):

 Enquanto aprender a ler significa aprender a apagar o suporte material do escrito para internalizar e automatizar seus mecanismos simbólicos, aprender a ver implica tornar visível o material do figurado para construir sobre ele uma nova simbologia. Trata-se de dois mecanismos cognitivos antagônicos, embora ambos confluam para um processo de conhecimento parecido (CATALÁ, 2000, p 15, Apud CAMPANHOLE, 2014, p.538).

Por processos aparentemente distintos, os atos de ler e ver se reconfiguram em uma mesma proposta de entendimento da realidade, muito mais além de decodificar símbolos (na leitura) ou de visualizar imagens (ver).

Dondis (2000, p 19), por sua vez infere: “[...] O alfabetismo visual jamais poderá ser um sistema tão lógico e preciso como a linguagem. As linguagens são sistemas inventados pelo homem para codificar, armazenar e decodificar informações”. Estabelece, portanto, uma concepção limítrofe de linguagens, com indicadores de compreensão do fenômeno sob ótica verbal e até mesmo da língua.

Com isso, evidencia-se que na arte, a organização dos pensamentos tem que ser livre, o professor precisa entender o momento da criança, orientando somente o necessário.

 O ato de criar, de se expressar, inerente a todo ser humano, pode ser bloqueado, interrompido se o adulto na ânsia de ver a criança deixar de rabiscar para desenhar formas bonitas ou perfeitas, agir de maneira inadequada, cobrando perfeição em suas atividades artísticas, iniciando aí um processo de tolhimento da criatividade infantil, principalmente quando é entregue à criança mimeografado para colorir” (FERREIRA, 2012, p. 52).

No processo de alfabetização visual “deve-se buscar um equilíbrio ideal: nem uma simplificação exagerada, que exclua detalhes importantes, nem a complexidade que introduza detalhes desnecessários” (DONDIS,1991, p.185).

 

2.2.1 A Arte no ensino-aprendizagem: as visões de Kneller (1978) e Barbosa (1997)

Vários argumentos podem ser utilizados para a presença da Arte no ensino fundamental, entre eles se destacam os de Kneller (1978) e Barbosa (1997). Para Kneller (1978), a criatividade é inerente à prática da arte, já que a criatividade “é o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução, na organização da vida subjetiva” (KNELLER, 1978, p.13).  Por mais importantes que sejam as disciplinas no currículo escolar, a grande maioria trabalha diretamente com as questões objetivas, não envolvendo ou utilizando as questões subjetivas. O autor evidencia que a criatividade consegue inserir a criança em um processo de mudança, que ocorre em etapas, como veremos em Barbosa, permitindo o desenvolvimento e organização dessa área pouco trabalhada.

Nesse mesmo sentido, o autor destaca que “ A criatividade resulta da abertura em relação ao mundo exterior e, portanto, de maior receptividade à experiência. [...] A criatividade é, pois, a capacidade de permanecer aberto ao mundo. (KNELLER, 1978, p.49 e 50). Nessa fala, é evidenciado que a experiência não pode ser ignorada, mas para isso é necessário a capacidade de recebê-la e dá significado.

Para Barbosa (1997), é necessário antes de qualquer ação uma proposta em que os alunos passem a utilizar a sensibilidade, pois:

O bom ensino de arte precisa associar o "ver" com o "fazer", além de contextualizar tanto a leitura quanto a prática. Essa teoria ficou conhecida como "abordagem triangular". Para se aprender, é preciso ver a imagem e atribuir significados a ela. Contextualizá-la não só do ponto de vista artístico, como também socialmente. Eu tenho testemunhado alguns projetos em escolas que priorizam a análise da obra de arte e deixam de lado o trabalho de organizar suas ideias de maneira a comunicá-las por meio da imagem, o que é um trabalho poderosíssimo de organização dos processos mentais. Tem que haver um equilíbrio entre os três processos. Outro grande problema atual é que contexto? Às vezes vira estudo de vida de artistas, o que nem sempre interessa para entender a obra (BARBOSA, 1997, p. 5).

 

A abordagem triangular defendida por Barbosa (1997) contribui para que os alunos consigam ter um maior aproveitamento em suas práticas de Artes em sala de aula, favorecendo seu processo cognitivo.

 Conclusão

A integração da Arte visual na educação no ensino fundamental, é importante e colabora no trabalho pedagógico dos professores alfabetizadores, em contato no dia a dia com as crianças acentua as expectativas de aprendizagem, buscando as orientar através da viabilização de momentos de formação, a fim de que se aprendam a real importância da Arte no processo de alfabetização por trajeto visual.

As atividades de artes ajudam muito no processo de aprendizagem das crianças, pois contribuiu para o desenvolvimento da coordenação motora fina, na identificação de cores, dos pontos, linhas e formas. Todo esse processo ocorre interativas. Nesse sentido, os educadores devem conhecer a busca de novos métodos, realizando uma reelaboração de suas práticas docentes, para permitir a inovação da prática educativa, visando sempre beneficiar os alunos por meio da arte.

         

Referências

ANTUNES, Celso. Novas maneiras de maneiras de ensinar novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2000.

BARBOSA, A. M. A Imagem no Ensino da Arte: Anos oitenta e Novos Tempos. São Paulo: Perspectiva: Porto Alegre: Fundação IOCHDE, 1997.

 CAMPANHOLE, Sidney. Alfabetização Visual: conceitos, equívocos e necessidade. In: CHAUD, E. (Orgs.). Anais do VII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual Goiânia-GO: UFG, FAV, 2014. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/71438544/alfabetizacao-visual>. Acesso em 01 de jul. 2020.

 DONDIS, Donis A. A Sintaxe da Linguagem Visual. 09. ed. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1991.

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 DUARTE, Bruna da Silva. BATISTA, Cleide Vitor Mussini. Desenvolvimento infantil: Importância das Atividades Operacionais na Educação Infantil. XVI Semana da Educação, VI Simpósio de Pesquisa e Pós-graduação em Educação. UEL, 2013. Disponível em: <http://www.uel.br/eventos/semanaeducacao/pages/arquivos/ANAIS/ARTIGO/SABERES%20E%20PRATICAS/DESENVOLVIMENTO%20INFANTIL.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2020.

EDWARDS, Carolyn P., "Ensinando as crianças através de centenas de linguagens [Teaching children through “hundreds of languages.”]" (2005). Faculty Publications, Department of Child, Youth, and Family Studies. 72. Disponível em: <https://digitalcommons.unl.edu/famconfacpub/72>. Acesso em: 1 jul. 2020.

 ENDO. Ana Claudia Braun; ROQUE, Marcio Antônio Brás. Atenção, Memória e Percepção: uma análise conceitual da neuropsicologia aplicada à propaganda e sua influência no comportamento do consumidor. Intercom – RBCC, São Paulo, v.40, n.1, p.77-96, jan/abr. 2017.

 FARRONI, Teresa. Percepção visual e desenvolvimento inicial do cérebro. Dipartimento di Psicologia dello Sviluppo e della Socializzazione, University of Padua, Itália Centre for Brain and Cognitive Development, School of Psychology, Birkbeck College, University of London, Reino Unido, Dezembro 2008 (Inglês). Tradução: agosto 2013. Disponível em:< http://www.enciclopedia-crianca.com/cerebro/segundo-especialistas/percepcao-visual-e-desenvolvimento-inicial-do-cerebro>. Acesso em: 20 jun. 2020.

 FERREIRA, Ana Patrícia. Monografia: A Importância do Ensino de Artes Visuais na Educação Infantil. Especialização em Ensino de Artes Visuais. 2015. Disponível em: file:///D:/Downloads/1483610669958889694_pdf.pdf. Acesso em: 4 de jul. 2020.

KNELLER, G. F. Arte e Ciência da Criatividade. 5 ed. São Paulo: IBRASA, 1978.

PIMENTA, S. B. B & CALDAS, R. S. Estudo introdutório sobre desenvolvimento da percepção infantil em Vigotski. Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, 7 (2), jul - dez, 2014.

 SILVA, Maira Cunha. Trabalho de Conclusão de Curso: A Importância da Alfabetização Visual no Mundo Contemporâneo. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/posdistancia/45767.pdf. Acesso em: 15 de jun. 2020.

 

Minicurrículos: 

  

Jonata da Trindade Ferreira possui Mestrado em Ciência da educação pela UDS-Paraguai, graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2007). Possui Três especializações correspondentes nas áreas. Arte, Educação Inclusiva e Ciência da educação. Atualmente é professora na - Escola. Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental -São Pedro e ainda atua como docente no estudo de Artes na escola Irmã Stella Maria pertencente a Secretaria Estadual de Educação-SEDUC. Tem experiência nas áreas de Ciência e Educação Inclusiva e em Artes Atualmente é discente do curso de Doutorado em Ciências da Educação pela UDS, Paraguai.

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José Francisco da Silva Costa possui Graduação (1999) em Física (Licenciatura plena) pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Mestrado (2010) e Doutorado (2015) em Física pelo programa de pós-graduação em Física (PPGF) da UFPA na linha de pesquisa de Física da Matéria Condensada. Docente do programa de mestrado profissional em Matemática (PROFMAT). Vice-líder de pesquisa do grupo do Laboratório de Preparação e Computação de Nanomateriais (LPCN). Atua ainda como pesquisador no grupo de Estudos da Biodiversidade e Sustentabilidade na Amazônia Tocantina. Adjunto A de nível 1 no Campus Universitário de Abaetetuba na Faculdade de Formação e Desenvolvimento do Campo-FADECAM.

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 Como citar:

FERREIRA, Jonata da Trindade; COSTA, José Francisco da Silva.  A arte e a percepção visual como processo pedagógico para o ensino fundamental. 5% Arquitetura + Arte, São Paulo, ano 16, v. 01, n.21, e183, p. 1-14, jan./jul./2021. Disponível em: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/uncategorised/a-arte-e-a-percepcao-visual-como-processo-pedagogico-para-o-ensino-fundamental

 

Submetido em: 2021-02-23

Aprovado em: 2021-05-27

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